Há dias fui surpreendido pela pergunta do meu amigo Fernando “Cigano”: quem foi e o que fez o Beato Zeferino? Depois de uma longa conversa rematava o Fernando “é preciso dar a conhecer esta figura”.

EDITORIAL
BEATO ZEFFERINO GIMÉNEZ MALLA
Há dias fui surpreendido pela pergunta do meu amigo Fernando “Cigano”: quem foi e o que fez o Beato Zeferino? Depois de uma longa conversa rematava o Fernando “é preciso dar a conhecer esta figura”. Ora, andando eu a pensar qual o assunto que devia abordar entendi dar cumprimento à “ordem” deste amigo.
Zeferino Giménez Malla filho de João Giménez Malla, nasceu em 1861, provavelmente em Benavente de Lérida, no dia 26 de Agosto.
Descendente do povo cigano desta localidade, aqui é baptizado e desde criança conhecido por “El Pelé”.
A sua família vive na pobreza que se intensifica quando o pai a abandona para ficar com outra mulher. Zeferino não frequenta a escola, pois é preciso ajudar no sustento da família, por isso confecciona e vende cestas de vime.
Leva vida nómada durante quarenta anos, após o que se estabelece em Barbasto e aí se casa com Teresa Giménez à maneira dos ciganos.
Não teve filhos, mas adopta Pepita, uma sobrinha de Teresa. Em 1912 ele e a sua esposa Teresa casam pela Igreja.
Zeferino não tem uma profissão fixa, é habilidoso com cavalos e mulas. Torna-se um comerciante autónomo depois dum episódio que encanta Barbasto. Um homem tuberculoso sangrando agonizava na berma da estrada. Todos tinham receio em ajudá-lo, pois a lepra é muito contagiosa. Nada intimida Zeferino que ajuda o homem abrigando-o em sua casa e trata da sua doença. Entretanto a família deste homem é das mais poderosas daquele local que gratifica Zeferino pelos seus actos.
Com este dinheiro monta um pequeno negócio que rapidamente prospera.
Cristão devoto da Virgem Maria e da Eucaristia participa na Santa Missa não só aos Domingos, mas também nos dias de semana, procurando comungar.
Reúne rapazes ciganos e não ciganos para lhes ensinar contos da Bíblia, pois não sabia ler, e as principais orações.
Promove a paz entre os ciganos resolvendo as questões entre si.
Em 1922 tendo enviuvado e casado a sobrinha intensifica a sua vida de oração.
No seu trabalho de comerciante de animais, comportou-se com honestidade. Torna-se Terceiro Franciscano e frequenta, a partir de 1931, a adoração nocturna. Quando rebenta a guerra civil é preso por ter defendido um sacerdote que estava a ser levado para a cadeia. Dias depois, um dos anárquicos propôs-lhe a liberdade com a condição de que ele lhe entregasse o seu terço e de não voltar a rezar esta oração em público, como era seu hábito. “El Pelé” agradece mas recusa. Por isso é fuzilado no cemitério. Morre de terço nas mãos gritando: “Viva Cristo Rei”.
É beatificado em 4 de Maio de 1997.
Figuras como o Beato Zeferino são para nós um sinal de esperança, neste tempo complexo e confuso que atravessamos.
Seguindo o seu exemplo ciganos e não ciganos poderão renovar-se e contribuir para a renovação da sociedade.
Pe. Amadeu Dias Ferreira