O Projecto “Nómada”

O Projecto “Nómada”
“Nasceu de um trabalho que Mirna Montenegro manteve durante três anos junto de uma comunidade cigana no Bairro da Bela Vista, em Setúbal. Antes do estabelecimento do rendimento mínimo nacional, as crianças deslocavam-se com alguma frequência, acompanhando as famílias em trabalhos sazonais no sul de Portugal e no sul de Espanha. … Daí nasceu a ideia de que as escolas entrassem em contacto umas com as outras no sentido de acompanhar a deslocação das crianças. Esse projecto teve início em 1995-96, entre escolas de Faro e de Setúbal. Em 1996-97 foi aplicado o rendimento mínimo a nível nacional tendo como resultado que, de um momento para o outro as escolas tiveram uma grande afluência de crianças ciganas, que não se encontravam preparadas para receber. Nessa altura, a actividade de Mirna Montenegro foi redireccionada para o apoio aos professores no acolhimento das crianças ciganas.”
Seguiu-se a animação de mercados no Algoz e, mais tarde, em Moura e em Serpa, “para seduzir as crianças para as coisas da escola, … “de forma a que se habituassem a contactar com lápis, canetas, papel, e a estarem sentadas durante mais de dez ou vinte minutos, … de uma forma afectiva.” “Paralelamente surgiu o Jornal “Andarilho”, que fez circular na rede de escolas do projecto, da qual participam cerca de cinquenta organizações… valorizando o esforço da escrita” dado que “os ciganos têm uma grande facilidade na matemática e no cálculo mental, mas alguma dificuldade em líder com a escrita”.
“Das actividades do jornal ‘Andarilho’ e da formação de professores, surgiu a ideia do livro “Ciganos Aquém do Tejo”, cuja publicação pelo ACIME está em estudo e é fruto do trabalho, ao longo de nove anos, de professores que nas salas de aula foram inventando novas formas de relacionamento e de trabalho.”