CARAVANA 83
EDITORIAL
E em Portugal como é? De facto?
Este número da Caravana tem abundantes notícias sobre as políticas na UE sobre a inclusão das populações ciganas na sociedade europeia, visando pôr em prática um dos pilares fundadores da UE que é a coesão social. Portugal nem sempre fica bem na fotografia: vejam-se os números humilhantes para os decisores portugueses que são citados num artigo da rubrica Ciganos são notícia, relativamente às conclusões de um inquérito recente da FRA. Vejam-se ainda as omissões de Portugal em várias referências feitas num importante documento da Comissão Europeia, noticiado nestas páginas.
O escândalo do sofrimento de tantos ciganos portugueses, num país em crise económica e financeira, é certo, mas que não sabe e/ou não quer utilizar diligentemente os apoios e incentivos europeus, como a Comissão tanto recomenda, e assim minorar por ex. a exclusão na habitação de tantas famílias ciganas, a capacitação dos líderes ciganos para serem eles próprios os motores e exemplos da inclusão social dos seus irmãos e irmãs de etnia, etc., não pode deixar de nos entristecer sobre o fosso que existe entre o que se proclama e a realidade do que se faz ou não se faz, ou se faz de conta que se faz, ou não se tem a coragem de mencionar sequer. Entretanto as franjas da sociedade continuam, silenciosas no seu atavismo, ignoradas na sua exclusão, quando muito, por vezes, um ornamento de algumas menções ou iniciativas que, de facto, não produzem resultados reais, não minoram o sofrimento de tantos ciganos. Acordemos, Portugal para as realidades da inclusão social indispensável à coesão social, esta determinante para o nosso próprio desenvolvimento.
Francisco Monteiro