CARAVANA 85 – EDITORIAL

 

OS CIGANOS NO CORAÇÃO DA ECONOMIA SOCIAL DA EUROPA –

OS CIGANOS NAS PEQUENAS POLÍTICAS PESSOAIS E DE ALGUNS PEQUENOS GRUPOS

A recente reunião da FRA no próprio Conselho da União Europeia pôs bem em relevo quanto a Europa considera a inclusão dos ciganos como a prioridade da estratégia de coesão social e como a condição sine qua non do êxito da economia social na Europa do futuro.

 

Toda a questão debatida, repetidamente expressa nos documentos e ecoada nas reuniões, nas estruturas, nos grupos de trabalho é a eficácia desta estratégia, é, como afirmou em Bruxelas o Diretor da FRA, a adesão dos Estados Membros através das políticas que desenham e se propõem implementar, em resumo, a passagem à prática destes objetivos, os resultados na diminuição das exclusões: quantos mais ciganos estudam mais tempo, quantos a Estratégia ajudou a empregar-se, quantos deixaram de viver nas barracas ou a deambularem escorraçados e começaram a viver uma vida digna nas suas casas. E a angústia que é quase um grito nas grandes assembleias: como diminuir os discursos de ódio, como parar os desalojamentos forçados sem alternativa, etc. etc.

 

Paralelamente, quase como o contraponto dos coros nas tragédias gregas, surge o oportunismo de alguns e de grupos dispersos, que indiferentes ao sofrimento alheio, aproveitam a onda do populismo que supostamente dá votos, para lançarem gasolina na fogueira: os seus comentários aumentam o sofrimento das pessoas de etnia cigana? Que interessa isso se ele ou o grupo vão angariar mais uns votozinhos?

Esta é a clivagem da nossa sociedade. E nós, de que lado estamos? Europeiamente conscientes da nossa missão de interculturalidade e dispostos a tudo fazer para o seu sucesso, para a diminuição do sofrimento de quem não teve oportunidades e que sofre no seu dia a dia do atavismo que não aprendeu a superar, nem conseguirá superar se não forem ajudados, ou … não vale a pena mencionar as alternativas – fazem parte das pequenezes sem história que infelizmente teimam em estragar este mundo.

Francisco Monteiro