Caravana 86 – EDITORIAL

 

A EVANGELIZAÇÃO COMO DOM E MISSÃO

Numa notícia neste número da Caravana, amavelmente enviada pela Irmã Sylvie, do Mosteiro das Monjas de Belém no Couço, Ribatejo (monjas que se têm preocupado em interagir com a comunidade cigana local), refere-se a ação do Pároco de Vera, Almeria, Espanha. Da dedicação do P. Carlos Maria à evangelização da comunidade cigana local, nasceu uma paróquia “cigana” inspiradamente chamada Stª Maria dos Povos. É claro, e isso faz todas a diferença, que o Pároco começou por incluir representantes ciganos no conselho pastoral da paróquia (Vera).

 

Depois vieram Missas em flamenco e a distância entre o local onde viviam as populações ciganas e a Paróquia de Vera levou à criação da nova paróquia. É conhecida a difusão das Igrejas Evangélicas, designadamente a Igreja Evangélica Filadélfia Cigana de Portugal, na qual os pastores são ciganos. São igualmente de lembrar as celebrações de liturgias pelos defuntos ciganos que o P. João Paulo Domingues teve a iniciativa de realizar, há anos, na paróquia que então dirigia em Cuba, Diocese de Beja e que tanta participação tiveram, inclusive de pessoas que vinham de outros locais (tal como aconteceu em Vera). E sobretudo, há que referir os párocos que se interessam por interagir com as suas ovelhas que são de etnia cigana (como agora o fazem as Monjas de Belém no Couço) e procuram saber mais sobre a cultura cigana e como agir com esta pastoral específica.                                                   A solução é essa: primeiro, sentir que uma parte da população da sua paróquia é cigana. Segundo, reconhecer a diversidade das culturas: não costumamos dizer “todos diferentes e todos iguais”? Terceiro, como têm feito alguns párocos, incluindo o de Vera, pensar: “como é que hei de interagir com esta população para que ela se sinta acolhida na paróquia, com as suas diferenças culturais?” Quarto, agir, tomar iniciativas, falar com as pessoas, chamá-las, procurar compreender as diferenças, os problemas, as idiossincrasias. Uma Missa flamenca por mês? Algum/ns/alguma/s representante/s cigano/a/s no conselho paroquial? Celebrações litúrgicas para os defuntos ciganos?       A conclusão é que a evangelização é um dom para integrar, incluir, abraçar, é uma missão – e uma obrigação: “ai de mim se não evangelizar” (1 Cor 9, 16).

 

Francisco Monteiro