Rádio Renascença (RR) – internet (8 jul)

Cáritas de Beja diz que ciganos da Vidigueira foram discriminados

Em junho, a Câmara mandou demolir o alojamento a 70 ciganos. O autarca diz que era impossível contactar os residentes, que tinham desaparecido. Mas a Cáritas não concorda e fala em discriminação.

 

A Cáritas de Beja lamenta a forma como foi demolida a residência de uma comunidade de 70 ciganos, no concelho da Vidigueira, em meados de junho. O edifício foi demolido apenas quatro dias depois de todos os residentes terem abandonado o local, temporariamente, no seguimento de uma rixa entre famílias.

 

Manuel Narra (MN), presidente da câmara municipal da Vidigueira, diz à RR que não tinha possibilidade de contactar ninguém, uma vez que os ciganos simplesmente “desapareceram”.

Maria Teresa Chaves (MTC), da Cáritas de Beja e responsável pela Pastoral dos Ciganos daquela diocese, diz à RR que os ciganos estavam a respeitar as regras próprias da comunidade depois de situações de conflito. “Quando isso acontece eles têm de sair do seu local de habitação durante determinado período e depois voltam novamente”. Sobre a questão de não ter sido possível contactá-los, a Cáritas de Beja sabe que “por lei, não podem ficar acampados mais de 24 horas no mesmo local e houve situações em que a GNR teve de intervir e dizer para saírem dos locais onde estavam a acampar. Era só uma questão de contactar a GNR e informar-se sobre onde se encontravam. Sabemos que algumas tinham ido para Moura, outras para Sines. Era fácil localizá-las porque normalmente vão para junto da sua comunidade”.

“O autarca diz que não existiam quaisquer contactos (como telemóveis) dos membros da comunidade, isto apesar de terem sido acompanhados por serviços da câmara, Segurança Social e GNR”.

MTC reconhece que há problemas com a comunidade cigana, mas diz que há discriminação neste caso. “Independentemente de por vezes haver alguns membros mais incómodos, não podemos destruir as habitações das pessoas incómodas, porque também temos pessoas incómodas de outras comunidades e não vemos a autarquia a destruir as casas deles. Se for esse o critério é complicado, não vejo que haja justificação para o que aconteceu”.

MN nega qualquer discriminação contra os ciganos, e que o processo foi desencadeado por os vereadores do PS terem apresentado uma queixa em relação à utilização do Parque de Estágio para habitações, contrariamente ao plano de desenvolvimento municipal que não o permitia.