A Festa Cigana
CCIT – 22 de Março de 2003
A Festa Cigana
Segundo a minha experiência, os ciganos vivem as suas festas como vivem para a vida.
As suas festas permitem-lhes realizar aquilo de que eles mais gostam: celebrar, antes de mais a união familiar, e logo, a união social. Após um encontro num grande espaço para congressos, uma jovem cigana dizia-me: o meu casamento será aqui. A grandiosidade do espaço, da festa, do número de convidados, a abundância do copo de água, são expressões de afirmação social, precisamente aquela afirmação que séculos de exclusão lhes negaram.
As festas são vividas intensamente como é intensa a vida dos ciganos. A sua vida é tudo ou nada, as meias tintas não são aceites. A violência da sua sobrevivência durante séculos de perseguições afirma-se na sua forma de sentir: as festas devem dar-lhes sentimentos fortes de convergência de uns para os outros. Infelizmente há sempre ameaças de que alguém se aproveite para “ajustes de contas”.
E depois as peregrinações são festas, com certeza, em que o sobrenatural é vivido com força, intensamente, ciganamente. As orações pela saúde são importantes, mas o “contacto” mesmo físico (com as imagens) com a Virgem Maria “aculturada” (de tal ou tal lugar) é o sentimento mais forte e mais vivido que lhes deixa uma recordação feliz que se prolonga no tempo. É a festa cigana: a expressão profunda e total da sua esperança e da sua certeza, muito intimamente unidas de que Deus preside aos seus destinos, às suas vidas, aos seus sofrimentos, à sua fidelidade a si próprios e ao seu futuro.
Francisco Monteiro