Irmã Zulmira Cunha foi homenageada
CCIT: Ciganos “paiodependentes” ou “autogestionários”?
Irmã Zulmira Cunha foi homenageada
Aprofundar a cultura cigana, designadamente o significado e as características da festa cigana e assinalar a evolução da população cigana para a sua “autonomia psicológica, económica, social e cultural” foram os principais objectivos do Encontro Anual do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT) que teve lugar em Bruges, de 21 a 23 de Março.
Na ocasião, a Irmã Zulmira Cunha, Directora Adjunta da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) foi homenageada pela sua participação continuada nas actividades do CCIT, desde o início da fundação deste forum das organizações de pastoral dos ciganos.
Relativamente à festa cigana, o P. Claude Dumas, cigano, Director Nacional da Pastoral dos Ciganos de França, começou por evocar a história segundo a qual os ciganos foram convidados a vir da sua terra de origem, no Norte da Índia, tocar e dançar na corte do rei Persa Bahram Gur, por volta do ano 900.
O fundador do CCIT, Yoshka refere que a festa do baptismo de uma criança é a mais bela de todas as festas porque não festeja apenas a criança mas também o futuro. A gratuidade e a abundância da festa cigana são sinais de que para esta etnia, a pessoa é mais importante do que o dinheiro.
Relativamente à desejável crescente autonomia dos ciganos face aos apoios dos não ciganos (paios), Mons. Piero Gabella, Presidente do CCIT cita a leitura do antropólogo Leonardo Piasere sobre o fenómeno do Pencostismo cigano como sendo “uma tentativa última de reapropriação de um espaço autogestionário e de pertença a um povo.”
O Encontro, presidido por Mons. Stephen Fumio Hamao, Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, contou com a presença de cerca de 100 participantes de 18 países. A ONPC fez-se representar pelos Srs. Cón. Filipe de Figueiredo, Irmã Zulmira Cunha e Dr. Francisco Monteiro e o Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos pelas Srªs Drª Fernanda Reis e Profª Doutora Manuela Mendonça.
Muito significativa foi a homenagem prestada à Irmã Zulmira Cunha, no final da Eucaristia de Sábado: o CCIT reconheceu a importante participação da Irmã ao longo da actividade do CCIT, desde o seu início. A Irmã Zulmira foi presenteada com uma renda (típica de Bruges) com a imagem de Nossa Senhora venerada em Bruges.