“Evangelização: futuro de liberdade e de dignidade para os ciganos” foi o tema do Encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT) que decorreu em Dobogókö, Hungria, de 23 a 25 de Março.
CCIT: EVANGELISAR PARA A LIBERDADE E DIGNIDADE DOS CIGANOS
“Evangelização: futuro de liberdade e de dignidade para os ciganos” foi o tema do Encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT) que decorreu em Dobogókö, Hungria, de 23 a 25 de Março.
O protagonismo dos ciganos na descoberta de formas de viver o cristianismo dentro da sua própria cultura e constatar a degradação das condições de vida dos ciganos na União Europeia alargada, foram as principais conclusões do Encontro.
1. Cristianização no interior da cultura cigana
Os ciganos têm todo o direito a preservar a sua cultura: a cristianização terá de se operar no interior dessa cultura e é aí que os agentes da pastoral os poderão ajudar e acompanhar.
Em termos culturais, a unidade não deve ser uniformidade e a diferença não deve levar ao domínio de uns sobre os outros. A doutrina social da Igreja supõe os princípios da subsidiariedade e do bem comum que combatem quer o individualismo quer o totalitarismo. O bem comum abrange igualmente as culturas maioritárias e as minoritárias. Jesus não exercia poder mas sim autoridade, palavra que significa fazer crescer. Autorizar é dar autoridade ao outro para ser autor e actor.
2. Situação dos ciganos
As migrações actuais, especialmente do Leste para o Oeste encontram as sociedades e as Igrejas impreparadas para enfrentar com dignidade estes novos desafios. Constatam-se manifestações de racismo crescente e legislações ou tímidas ou desrespeitadas pelas conveniências políticas. As comunidades eclesiais frequentemente não têm a coragem da sua fé para reagir a estas situações, sendo vítimas dos seus interesses próprios.
Na Hungria 7% da população é cigana: desta população 34% está desempregada. A legislação húngara prevê que membros das minorias étnicas elejam responsáveis da sua própria autonomia. Em 2006, perto de 6000 delegados das autonomias ciganas representam 38 organizações civis e políticas. Em muitas instituições os protagonistas são os próprios ciganos.
3. Pastoral dos Ciganos
Das 2300 paróquias da Hungria apenas entre 50 e 70 (entre 22% e 30%) têm alguma forma de bom relacionamento com os ciganos. No entanto, o número de paróquias que vão ganhando consciência da sua responsabilidade está a aumentar e constantemente são anunciadas novas iniciativas a favor dos ciganos. Também se verifica uma tendência positiva por parte dos sacerdotes, neste domínio.
A obrigação de reconhecer os valores da cultura cigana e de respeitar a identidade cigana na evangelização dos ciganos foi afirmada na mensagem que o Cardeal Renato Martino, Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI) dirigiu aos participantes do Encontro. Sua Eminência lembrou as “Orientações para uma Pastoral dos Ciganos” (documento do CPPMI) e acrescentou que na senda da sua catolicidade, a Igreja deve tornar-se “ela mesma cigana no meio dos ciganos por forma a que eles possam participar plenamente na vida eclesial”. O Presidente do CPPMI refere ainda que o documento citado pede á Igreja uma atitude de acolhimento dos ciganos, que ela contribua para a sua inclusão na sociedade, aceitando plenamente a sua diversidade legítima e em consequência exorta todo o povo cristão a uma conversão de espírito e de atitude.
Participaram no Encontro 120 pessoas de 21 países. O Cardeal Stephen Fumio Hamao, Presidente Emérito do CPPMI participou como amigo do CCIT. A delegação portuguesa foi composta pelo Dr. Francisco Monteiro, Profª. Eva Gonçalves e Irmã Maria Augusta Costa da ONPC e pela Drª. Fernanda Reis, Presidente do Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos.
O Dr. Francisco Monteiro fez uma exposição sobre: “Na senda da liberdade de três famílias ciganas na Marinha Grande, a dignidade de 24 famílias ciganas em Alcobaça (o seu realojamento) e a alegria de 40 ciganos de Bragança em peregrinação a Fátima”.