Correio de Coimbra (abr) – DIVERSOS
Ciganos meus amigos
O Padre António Borges de Carvalho (PBC) conta uma situação que se passou consigo: furou-se um pneu do seu carro, perto do Bairro do Ingote, em Coimbra, num dia em que chuviscava. Pediu ajuda a um cidadão, que lhe disse que quem lhe poderia resolver o seu problema ainda ficava longe dali.
Mas vinha a passar um casal de ciganos, e o cigano prontificou-se para ajudar PBC a mudar o pneu. Nesse período a rapariga atendeu o telemóvel. Era algum familiar que os esperava. O rapaz foi desabafando “O que é que querem? Têm medo que eu fuja? O casamento é só amanhã!” E ela apressou-se a esclarecer que iriam casar no dia seguinte. “No fim recompensei-o como ele esperava e era justo. Despedi-me e desejei-lhe felicidades. Tocou-me este gesto de quem muitas vezes é tratado com desdém!”
PBC recorda ainda um outro episódio em que foi merendar a uma casa de leitões e uma senhora que “seguia connosco”, pediu uma cabeça de leitão para a filha que estava grávida. A vendedora lamentou mas tinha acabado de vender a última “a este senhor” – um cigano. Nesse momento o homem, “como que salta para junto da senhora que ia ser avó” e diz: “Ó minha senhora, faz favor! Primeiro está a sua filha”. “De nada valeu ela escusar-se a levar o leitão… O nosso homem insistiu, uma e outra vez, com decisão e delicadeza. A caixeira ajudou com palavras a convencer a senhora enquanto ambas deixavam transparecer admiração pelo gesto do amigo cigano!
Afinal é pelas obras que nos conhecemos!”