Público (21 fev) – CULTURA CIGANA

(Cinema) Berlim dá Urso de Ouro a curta de Leonor Teles (capa)

 

Berlim dá Urso de Ouro a Gianfranco Rosi e Melhor Curta a Leonor Teles

Portuguesa Leonor Teles (LT) ganha com ‘Badalada de um Batráquio’, sobre a xenofobia contra a etnia cigana. O documentário de Gianfranco Rosi, ‘Fuocommare’, aborda a crise dos refugiados em Lampedusa

O Urso de Ouro das curtas, do 66º Festival de Berlim, foi entregue a um dos dois filmes portugueses a concurso, ‘Badalada de um Batráquio’, de LT. Lúdica explicação em dez minutos, das superstições, dos mal-entendidos e da xenofobia para com a etnia cigana, a propósito da superstição de colocar sapos de louça à porta das lojas para impedir a entrada de ciganos.

A jovem cineasta, que se mostrou genuinamente surpreendida com a atribuição do prémio, nasceu em 1992, de etnia cigana por parte do pai e é a mais jovem vencedora de sempre de um Urso de Ouro. “Nunca pensei que um filme tão parvo pudesse ganhar um prémio como este,” referiu, mesmo que de parvo o filme não tenha nada. Esta é a segunda curta metragem de LT, após “Rhoma Acans”, premiado no Indie Lisboa e em Vila do Conde em 2013.

 

Leonor Teles: “Se vamos falar de coisas sérias, porque não de um modo divertido?”

Manifestando o seu espanto por ter recebido esta distinção, LT disse ao Público: “Não, não é mesmo completamente inesperado, Porque para mim este filme é uma parvoíce, é um filme com uma forma tosca, que tem um só objectivo: partir sapos”. Quando ouviu o seu nome, LT pensou “não, isto não pode ser…”.

A realizadora tem um especial interesse pela relação ainda muito tensa entre a etnia cigana e a sociedade. O filme debruça-se sobre a superstição de colocar sapos de louça à porta das lojas para impedir a entrada de ciganos, como maneira de lhes impedir o acesso a uma “vida normal”, e assume uma dimensão de farsa quase burlesca, com a própria equipa do filme a entrar em lojas com sapos na montra para os partir. Foi a partir dessa ideia de partir sapos, entendida como o quebrar de um tabu xenófobo, que LT construiu todo o filme. O filme “é bastante redondo”, explica LT, foi bastante pensado e estruturado desde o início, para se chegar ao pormenor de partir sapos. Pretendia-se que o filme não fosse apenas um diagnóstico do problema, mas sim também um pouco a sua resolução. E acrescenta: “Se vamos falar de coisas sérias porque não fazê-lo de modo divertido?” O filme foi feito “de modo instintivo”. Ainda antes de receber o prémio, o filme interessou produtores estrangeiros pelo próximo projeto: “Terra Franca”.

 

Portugueses em Berlim: balanço é positivo

Strindberg aponta especialmente o interesse em ‘Balada de um batráquio’, de Leonor Teles: “É a mais jovem realizadora da competição de curtas e houve interesse por parte de alguns produtores em conhecer o seu próximo projeto”.