A Igreja deve procurar conhecer a cultura cigana que é rica de valores, afirmou D. Joaquim Mendes, responsável pela Pastoral dos Ciganos na Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, no 40º Encontro nacional da Pastoral dos Ciganos que teve lugar no Seminário da Nª Sª de Fátima dos Dehonianos, em Alfragide (Lisboa), de 22 a 24 de Novembro. D. Joaquim encorajou os Secretariados Diocesanos da Pastoral dos Ciganos, a trabalhar em rede entre si e com as outras instituições, a potenciar os apoios à inclusão social e eclesial que existem e a promover o incremento dessa acção, sensibilizando as comunidades locais, num espírito de conversão do coração.
É necessário, disse D. Joaquim, analisar em conjunto, como relançar a pastoral dos ciganos, designadamente através de gabinetes de atendimento. Rejeitar é pecado, afirmou ainda D. Joaquim, citando diversos passos das conclusões dos últimos Encontros nacionais da Pastoral dos Ciganos. Referindo que as obras e a caridade são imperativo da fé, D. Joaquim recordou que na Igreja primitiva, a caridade se estendeu a todos, incluindo os não cristãos e que a evangelização se seguiu à caridade. Uma Igreja viva, de comunhão, disse D. Joaquim, traduz-se, a nível paroquial, na proximidade, na escuta, na partilha da evangelização, numa atitude pastoral de respeito pelos valores das comunidades ciganas.
O P. Frei Vítor Melícias, ofm, Provincial da Província Portuguesa da Ordem Franciscana, referiu a sua acção enquanto membro do Comité Económico e Social Europeu, para a definição da inclusão socioeconómica dos ciganos, como prioridade da política de coesão social da UE; salientou a política europeia de distanciamento relativamente às declarações dos políticos contra os ciganos e as medidas vinculativas que estão a ser consideradas para proteger os ciganos, a nível europeu, contra os crescentes actos de exclusão de que são vítimas e referiu o rendimento social de inserção para toda a Europa que também está a ser analisado. O P. Melícias falou da necessidade de uma pastoral específica para os ciganos e da deliberação que o Capítulo da Ordem Franciscana tomou no sentido de dar prioridade a um programa de inclusão dos ciganos que envolva a participação destes.
A Dr.ª Helena Torres, responsável pelo Gabinete de Apoio às Comunidades Ciganas (GACI) do ACIDI, fez um ponto da situação sobre a Estratégia Nacional para a Integração dos Ciganos, publicada no DR de 17/4/13, referindo a actividade do Grupo Consultivo para a Integração das Comunidades Ciganas (CONCIG) que integra quatro ciganos eleitos pelas respectivas Associações.
O Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos (SDL) proporcionou uma visita ao notável trabalho que desenvolve na Quinta da Fonte, Apelação (Loures), em que estão envolvidas numerosas famílias ciganas residentes; esse trabalho que é apoiado por dirigentes ciganos locais, inclui os outros grupos étnicos do mesmo bairro. O SDL fez ainda uma exposição sobre o SEDRIN (projecto de Educação Escolar para a Integração dos Ciganos) em que Portugal é parceiro de mais seis outros países europeus e que consiste em formar e responsabilizar mães ciganas pelo incentivo à frequência escolar das crianças ciganas.
O P. Ignacio Marqués, da Arquidiocese de Barcelona, apresentou o livro Adveniat Regnum Tuum que presta homenagem ao Cardeal Fumio Stephan Hamao que foi Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.
Das intensas reflexões conjuntas havidas entre os participantes no Encontro, provenientes da Direcção Nacional e de alguns Secretariados Diocesanos da Pastoral dos Ciganos, entre os quais se contavam pessoas de etnia cigana, salientamos:
- Faltam mais iniciativas de actos litúrgicos que envolvam as pessoas de etnia cigana e que se adaptem à sua cultura.
- As Dioceses que não têm actividade pastoral organizada com os ciganos, deveriam reflectir sobre a necessidade, reconhecida pela Santa Sé, de promover uma pastoral específica para os ciganos que, na sua maioria, vivem na periferia da sociedade e da Igreja, sendo que as periferias são, sobretudo actualmente, consideradas a prioridade da Igreja de Cristo.
- Reconheceu-se o muito trabalho realizado pela Igreja com os ciganos, através da Pastoral que existe e que é muito minoritária no âmbito das estruturas da Igreja; a amizade com eles e o longo e árduo caminho percorrido no meio deles é uma competência considerável que é pouco conhecida pela comunicação social e pouco aproveitada pelas instâncias responsáveis.
- A participação dos ciganos nas estruturas, iniciativas e programas de inclusão é absolutamente indispensável, tal como o é o seu envolvimento activo e visível na construção da cidadania, incluindo a sua representatividade política.
Lisboa, 24 de Novembro de 2013