El País 6 Abr
Contra a segregação
A Europa deve rever as políticas de integração da população cigana e dedicar-lhe mais recursos
Na Europa, há mais de seis milhões de cidadãos pertencentes à comunidade cigana que sofrem de exclusão ou discriminação. Nos últimos anos viram com temor como o racismo e a xenofobia se incrustaram no discurso político pela mão da extrema direita. “A Terceira Cimeira Europeia sobre a População Cigana permitiu constatar que a Europa tem na integração do colectivo cigano uma cadeira pendente na qual muitos países merecem um clamoroso chumbo”. Na Cimeira foi apresentada uma informação pormenorizada sobre os progressos de cada um dos 28 países membros. Apesar de se verificarem melhorias pontuais muito louváveis, a valoração de conjunto é que as políticas aplicadas até agora tiveram um impacto muito reduzido. A Hungria, a Bulgária, a Roménia e a Eslováquia, com populações que oscilam entre os 7% e os 10% do total da população, são aqueles países que exigem uma acção mais decidida por parte da UE. Espanha foi citada várias vezes como exemplo de política de integração transversal, procurando normalizar a vida em todos os aspectos, começando pela escola e pela habitação. Em Espanha, todas as crianças ciganas terminam a escola primária e uma elevada percentagem também a secundária. Actualmente, menos de 10% das famílias ciganas espanholas vivem em barracas e a maioria destas são imigrantes do Leste, o novo desafio que Espanha agora tem.
As políticas de integração não são necessárias apenas em termos de justiça social e de respeito pelos direitos humanos, mas também são eficazes para o progresso material do conjunto da sociedade.