Com vista para uma lixeira

Correio da Manhã (29 Out)
Com vista para uma lixeira
O CM faz uma reportagem sobre os mais de 50 imigrantes de Leste, romenos e búlgaros, que vivem há três meses em Cacilhas, na margem sul do rio Tejo, na mais absoluta miséria, dormindo ao relento e à chuva. Instalados na fábrica de redes do Cais do Ginjal, em Cacilhas, cujo tecto já há muito desabou, estas pessoas vivem das esmolas nas ruas de Lisboa. Titi, com mais de dez anos, é um cigano de origem romena, e foi dos primeiros a chegar a Portugal e todos os dias de manhã sai para ir pedir esmolas. Não têm água ou luz, nem qualquer espécie de higiene e vivem no meio do lixo que por ali abunda. Ibraim, de 48 anos, é o líder do clã, e garante só quererem “trabalhar.”
Os vizinhos daquela velha fábrica, parecem não ter dúvidas que estão por detrás de ‘redes de tráfico humano’, porque antes do início do Verão, “não eram mais de quatro ou cinco” os imigrantes de Leste que ali se instalavam; entretanto chegam em “várias carrinhas que os vêm trazendo todas as semanas”.
Vidas na miséria
Câmara de Almada desconhece os mais de 50 clandestinos no cais do Ginjal
Segundo o CM, as autoridades afirmam não ter “qualquer conhecimento desta situação”, e segundo fonte oficial da Câmara Municipal de Almada, a autarquia tem procedido à limpeza de toda a zona, mas o Cais do Ginjal pertence à Administração do Porto de Lisboa. O CM afirma ter ainda contactado a Rede Social da Concelhia Local de Acção Social de Almada, onde também foi dito “desconhecerem o problema por completo.” Os residentes afirmam que entre eles estão dezenas de crianças que dormem ao relento e debaixo da chuva e comem os restos de carne e peixe que apanham no chão da praça.
N.R. – A ONPC teve conhecimento desta notícia através do Secretariado Diocesano de Lisboa; contactou o Secretariado Diocesano de Setúbal que visitou o local, mas entretanto, já a PSP tinha desalojado este grupo.