Foz do Lima (23 dez)

Crianças de acampamento cigano sem água ou luz mas com direito a Pai Natal

 

Num acampamento com quase meio século, mesmo às portas de Viana do Castelo, as 35 crianças de etnia cigana que ali vivem, sem água ou electricidade, tiveram direito pela primeira vez à entrega de presentes pelo Pai Natal. A iniciativa foi da Cáritas diocesana e do Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana (SDMH), e visou alertar para as condições em que 200 pessoas vivem, distribuídas por mais de trinta barracas de madeira.

 

“Estas crianças não têm condições sequer para estudar quando chegam da escola. Pelo menos que nos colocassem electricidade”, afirma André Maia, 43 anos, porta-voz do acampamento cigano de Darque. André acrescenta que é a primeira vez que tal acontece ali, “mas é também uma forma de melhorar um pouco estes dias para as crianças que vivem com tantas dificuldades. Só não podemos cantar nenhuma música de Natal, porque o acampamento está de luto por um familiar”.

A construção das barracas cresce de ano para ano, mas sem a posse do terreno e a legalização do espaço, o acesso às condições básicas de vida continua arredado. Assim, a visita do Pai Natal foi uma oportunidade para o Bispo Anacleto Oliveira pedir “condições” para estas famílias, dizendo que “estamos aqui sobretudo para dar umas horas de alegria a estas pessoas. Mas algo tem que ser feito no futuro, é isso que se exige”. O Bispo de Viana do Castelo referiu ainda que aqueles ciganos “vivem em condições que, do outro lado do acampamento seriam impensáveis. Era preciso a comunidade dar outras condições, pelo menos de higiene, de dignidade”.

André Maia, que também é membro do SDMH, em lágrimas afirma que “é um dia muito bonito”, mas “no verão é o calor, os mosquitos, no inverno é a chuva que cai lá dentro e o frio. Durante todo o ano é querer água ou ir à casa de banho e não ter”.