O Capítulo V de “Orientações para a Pastoral dos Ciganos”, emanado do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, apresenta quatro grandes desafios.

EDITORIAL
DESAFIOS DA PASTORAL PARA OS CIGANOS
O Capítulo V de “Orientações para a Pastoral dos Ciganos”, emanado do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, apresenta quatro grandes desafios.
1- Passagem da suspeita para a confiança
Ao longo de séculos a etnia cigana sofreu o isolamento e o contraste com a cultura circundante, perseguições e incompreensões por parte dos “Gagé” que influenciou o seu modo de ser e de actuar. Tudo isto se traduz numa atitude de desconfiança relativamente aos outros, com tendência a fecharem-se sobre si próprios na consciência de poderem contar somente com as suas próprias forças para sobreviver no seio de uma comunidade hostil.
Como superar estes obstáculos para anunciar a Boa Nova? Penso encontrar a resposta em “Envangelii Nuntiandi” de Paulo VI nº 21. “E esta Boa Nova há-de ser proclamada, antes de mais, pelo testemunho. Suponhamos um cristão ou punhado de cristãos que, no seio da comunidade humana em que vivem, manifestam a sua capacidade de compreensão e de acolhimento, a sua comunhão de vida e de destino com os demais, a sua solidariedade nos esforços de todos para tudo aquilo que é nobre e bom. Assim eles irradiam, dum modo absolutamente simples e espontâneo, a sua fé em valores que estão para além dos valores correntes, e a sua esperança em qualquer coisa que não se vê e que não seria capaz sequer de imaginar.”
2- Das várias crenças à Fé
Muitos ciganos são baptizados, mas não são evangelizados. A “crença em Deus” não é suficiente, pois é necessário chegar ao acolhimento autêntico de Jesus Cristo e da sua mensagem. É necessário como refere o citado documento de Paulo VI “Evangelii Nuntiandi”. “Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados”.
3- Eclesialidade, ecumenismo e diálogo inter-religioso
Uma fé amadurecida é também fé eclesial, isto é, vivida estavelmente no seio da Igreja.
O nº 23 da “Evangelii Nuntiandi” apresenta: “O anúncio, de facto, não adquire toda a dimensão, senão quando ele for ouvido, acolhido, assimilado e quando ele houver feito brotar naquele que assim o tiver recebido uma adesão de coração… Uma tal adesão não pode permanecer abstracta e desencarnada, manifesta-se concretamente por uma entrada visível numa comunidade de fiéis.”
4- Secularismo
Constatamos que o secularismo generalizado envolve também os Ciganos. Deus hoje não conta para muita gente. A vida é organizada tendo em conta outros valores que não os de Deus. Esta mentalidade faz-se sentir preferencialmente no mundo juvenil. Esta situação torna urgente uma verdadeira pastoral juvenil.
Eis os grandes desafios que o documento “Orientações para a Pastoral dos Ciganos” nos apresenta. Estou convicto que a leitura e reflexão do documento “Evangelii Nuntiandi” nos dará pistas certas e seguras.
P. Amadeu Dias Ferreira