DIA INTERNACIONAL DOS CIGANOS: UM SÍMBOLO DE UNIDADE POLÍTICA

 

No dia 8 de abril, Dia Internacional dos Ciganos, a Euroactiv.com publicou um artigo de Martin Demirovski* (MD).  MD afirma que os 12 milhões de ciganos que vivem em todo o mundo celebram neste dia a visão dos políticos ciganos mais velhos em estabelecer os fundamentos da capacitação cigana na Europa. MD acrescenta que este Dia dos Ciganos pode não ser tão festivo como no passado porque recentemente, na cena internacional cigana gerou-se a confusão de uma batalha entre duas fações do movimento Cigano Europeu:  o ERTF (European Roma and Travellers Forum) que é uma representante ONG Cigana na Europa, que tem um acordo de cooperação com o Conselho da Europa (CoE) em Estrasburgo  e o ERI (European Roma Institute) que é uma iniciativa do CoE e das Fundações Open Society (OSF) de George Soros.

 

O conflito começou quando o Secretário Geral do CoE, Thorbjörn Jagland decidiu cancelar a cooperação com o ERTF que datava de 2005 e iniciar um novo contrato de cooperação com as OSF. O ERI quer ser um centro criativo, um consultor de políticas e um comunicador público de temas relacionados com a identidade cigana, a auto-estima cigana, a cultura cigana, o racismo e as políticas ciganas.  As duas entidades poderiam complementar-se já que têm finalidades diferentes.                 A decisão do Secretário Geral do CoE de cancelar a cooperação com o ERTF cuja missão é o de representar politicamente os ciganos na Europa, está na base do conflito. As organizações internacionais representativas dos ciganos ainda não tiveram a oportunidade de se pronunciar sobre o ERI. Recentemente, Soros e Jagland defenderam a necessidade de institucionalizar a cultura cigana, a sua arte e as suas tradições. Contudo, para que estas iniciativas sejam adotadas e implementadas com sucesso, precisam de ser sujeitas a consultas e de ser aprovadas pela liderança cigana internacional.

 

MD considera brilhante a ideia de institucionalizar a cultura cigana como meio de combater o anticiganismo, mas acrescenta que  “os institutos para estabelecer políticas estão, em geral, ligados à ‘representação baseada em valores’. Neste caso, por ex., (o ERI) precisa de estar ligado à representação cigana”. Para MD “o ERI é uma necessidade, mas não deveria substituir a representação cigana que já existe, como é a intenção de Jagland ao cancelar o contrato existente com o ERTF”. Segundo MD, o Parlamento Europeu (PE) deveria empenhar-se nesta dupla perspetiva: apoiar o ERI e o trabalho do ERTF no seio do CoE. O PE poderia desencadear “um novo processo de consultas  públicas em Bruxelas”. O ERI deveria tornar-se uma iniciativa da Europa com um apoio financeiro adicional da Comissão Europeia. O ERTF deveria tornar-se o parlamento dos ciganos na Europa. O PE também se deveria envolver na monitorização das eleições do ERTF. O apoio do PE ao ERTF seria um momento histórico.

MD termina com o voto de que no próximo Dia Internacional dos Ciganos em 2016 se celebre a assinatura de um acordo entre o ERI e o ERTF para um trabalho conjunto, debaixo de um só teto.

 

* Advogado dos direitos dos ciganos em Bruxelas, trabalhou para o Parlamento Europeu e para as Fundações Open Society.