DIA NACIONAL DO CIGANO
Por ocasião dos Dia Nacional do Cigano, o Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos, enviou a seguinte carta aos Párocos do Patriarcado de Lisboa a que anexou excertos da conferência proferida no CCIT por Myriam Tonus de que se apresentam alguns tópicos.


DIA NACIONAL DO CIGANO
Por ocasião dos Dia Nacional do Cigano, o Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos, enviou a seguinte carta aos Párocos do Patriarcado de Lisboa a que anexou excertos da conferência proferida no CCIT por Myriam Tonus de que se apresentam alguns tópicos.

DIA NACIONAL DO CIGANO
Exm° e Revd° Pároco
Aproxima-se o dia 24 de Junho, em que festejamos S. João Batista, mas que é também o Dia Nacional do Cigano.
A este propósito vimos partilhar consigo, com alegria, a notícia de que o Santo Padre recebeu no passado dia 11, em audiência privada uma cigana e três ciganos cristãos católicos portugueses, juntamente com alguns ciganos de outros países europeus, por iniciativa do Conselho Pontifício para a Pasto¬ral dos Migrantes e Itinerantes.
Foi o acto que antecedeu a peregrinação dos ciganos europeus, que co¬meçou nesse mesmo dia, ao Santuário de N.ª Senhora do Amor Divino, em Roma, comemorando os 150 anos do nascimento do beato cigano Zeferino Giménez Malla e os 75 do seu martírio.
Mantenhamos presentes as palavras que o Papa Bento XVI agora profe¬riu, recordando também
– as do Papa Paulo VI em Setembro de 1965, em Pomezia:
“vós não estais nas margens da Igreja, mas no seu coração”
– as do Papa João Paulo II em Março de 2000:
“descriminações, exclusões, opressões, desprezo pelos pobres e pelos últimos nunca mais”.
Desejamos também dar-lhe a conhecer o tema escolhido para o Encontro Anual do CCIT, em que participámos: No coração da fragilidade, a esperança, que ocorreu em Maastricht, em Abril de 2011 – e enviamos-lhe, em anexo, alguns excertos da conferência então proferida pela teóloga Myriam Tonus.
Certa do seu interesse por esta parcela do Povo de Deus, sendo por¬ventura, alguns dos seus elementos, membros dessa paróquia, desejo-lhe o melhor, nesta missão de Pastor que o Senhor lhe confiou e V.ª Rev.ª aceitou.
Lisboa, 2011.06.16
Fernanda Eugénia Nunes dos Reis

“NO CORAÇÃO DA FRAGILIDADE, A ESPERANÇA”
(Extractos do texto da conferência proferida por Myriam Tonus)
CCIT – Rolduc – Maastricht, Abril de 2011)
A autora parte de uma definição para depois desenvolver o seu pensamento sobre a temática.
“FRÁGIL significa literalmente «que pode partir-se, que pode quebrar-se».
É frágil, pois, tudo o que, pessoa ou objecto, não tem a vida, a sobrevivência, e a integridade asseguradas.
… Mas os pais não são os únicos que dão ao ser humano aquilo que lhe permite sustentar a sua existência… Poderíamos desde já dizer que a comunidade cigana é como um menino frágil, porque mal querido; porque, precisamente e muito frequentemente, demasiado frequentemente, lhe negaram a hipótese de ter um lugar… É, simbolicamente, a recusa de lhe conceder um lugar no seio da comunidade social.
… E, no entanto, a fragilidade é uma palavra ambígua, com duplo significado.
… nós, cristãos, atrevemo-nos a crer num Deus «fraco», isto é, frágil e vulnerável. Um Deus que se manifestou na carne dum menino…, na carne de um homem desprezado, torturado, cravado como um malfeitor sobre a cruz. Um Deus que se manifestou nos actos e nas palavras de um homem – Jesus Cristo – que, ao longo da sua curta vida, se aproximou preferentemente das pessoas que não entravam nas normas da boa sociedade e da religião do seu tempo… Quer dizer que Jesus se fez um de nós, um desses que o mundo menospreza, rejeita, exclui.
…É possivelmente este o tesouro escondido no coração da fragilidade: esta capacidade de se tornar próximo de quem, no mundo e na natureza, é o mais vulnerável. Esta capacidade de compaixão infinita, porque sabe que também cada um de nós necessita de compaixão”.

A ESPERANÇA
“… queria ler-lhes algumas magníficas frases de Charles Peguy, escritas a propósito da esperança.
Aquilo de que mais gosto, disse Deus, é a esperança. A fé não me causa admiração, não é espantosa.
… Mas a esperança, diz Deus, eis o que me espanta. É assombroso que estes pobres meninos vejam como tudo isto acontece e acreditem que tudo virá a ser melhor…
… Porque a fé vê só o que é e a esperança vê o que será.
… Não são os imperadores, nem os reis… que abrirão em definitivo o caminho da esperança. São multidões de anónimos, homens e mulheres, jovens e velhos, que acreditam na igualdade de todos os seres humanos, para lá do seu sexo, etnia ou condição social.
…E hoje, aqui estamos. Estamos juntos, reunidos. Pequenos humanos frágeis, nós também, companheiros de outros humanos tão mal tratados pela marcha do mundo.
… Nós, gente de viagem – e não é o que todo o ser humano é, no curso da sua vida? – não temos outra certeza senão esta: a de sermos precedidos num caminho incerto, difícil, mas o único que deve, creio, ser escolhido.
… A todos nós cumpre-nos alertar sempre que a exclusão e a rejeição se inscrevem na ordem das coisas, como se isso fosse normal. Devemos alertar as e os que são excluídos e rejeitados, como são os ciganos, para que não se encerrem, por cansaço e desesperança, numa fragilidade que então não será fecunda.”
É então que, fortalecidos com o que herdámos dos que nos precederam, poderemos, como os ciganos poderão, ousar ter Esperança, mesmo no cerne da fragilidade!