A contribuição da Igreja Católica e a estratégia da União Europeia para a inclusão dos ciganos
Diálogo Gitano (Jul-Set)- PASTORAL A contribuição da Igreja Católica e a estratégia da União Europeia para a inclusão dos ciganos No passado dia 27 de Junho teve lugar em Bruxelas uma sessão de trabalho entre a Comissão Europeia e o Conselho de Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE),sobre “A inclusão cigana: uma necessidade, um desafio e um dever” (ver Caravana nº 62 – Ciganos são notícia). Neste encontro, organizado pelo Organismo de Assessores sobre a Política Europeia (BEPA), Sergio Rodríguez apresentou um trabalho sobre a contribuição da Igreja Católica para a Estratégia Europeia para a Inclusão dos Ciganos, em conformidade com a deliberação aprovada pelo Conselho Europeu de 24 de Junho e proposto pela eurodeputada cigano húngara Lívia Járóka (ver Caravana nº 62). A relação entre os ciganos e a Igreja Católica é muito antiga: a primeira notícia sobre os ciganos na Europa é atribuída a um franciscano,SimónSiemeonis, em 1322; em 1418,o Papa Sisto Voutorga um salvo-conduto que permite o acesso dos ciganos aos países da Europada baixa Idade Média, para peregrinarem a Santiago de Compostela. S. Filipe de Néri (+ 1595) acolheu os ciganos no seu Oratório de Roma. As dioceses italianas de Trévi e de Siena, nos Sínodos de 1589 e 1599 encorajaram o acolhimento dos ciganos porque “perante Deus não existe distinção de pessoas”. A Igreja Católica foi pioneira no compromisso com os ciganos. Em 1889, o servo de Deus padre AndréManjón, criou as escolas da Ave Maria, criadas especialmente para as crianças ciganas. Em 1965 o jesuíta Luís Artigus esteve na origem do Secretariado Cigano de Barcelona, primeira entidade da Europa criada para trabalhar com os ciganos. Em 1958 foi criado o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e dos Ciganos,a que se seguiu, em muitas dioceses da Europa, a criação de Secretariados Diocesanos da Pastoral dos Ciganos,que seguem uma “metodologia de presença”, em que diversos padres e religiosas vivem com os ciganos. Um aspecto realçado no modode a Igreja Católica trabalhar com os ciganos é a valorização da cultura cigana, como o jesuíta espanhol Closa incluiu no currículo escolar elementos da história, da língua e dos costumes ciganos. Outro aspecto é o fomento do protagonismo dos ciganos no trabalho com o próprio povo, como o Centro Dom Bosco, na Eslováquia, em que os jovens ciganos são os primeiros educadores dos seus companheiros. Foi a Igreja Católica quem subsidiou a ida de alguns dos participantes ao encontro fundador da União Romani Internacional que se realizou em Londres há 40 anos. De realçar ainda, o apoio que a Conferência Episcopal Espanhola deu a Juan de DiosRamírezHeredia para que ele pudesse tornar-se no primeiro deputado cigano em Espanha.O terceiro aspecto focado no modo de a Igreja Católica actuar junto dos ciganos foi a dimensão social na missão: “evangelizar não é apenas anunciar o Evangelho, mas também construir um mundo segundo os valores que contém”.A Igreja Católica dirige, em toda a Europa, em colaboração activa com as administrações, um número interminável de centros ao serviço da inclusão dos ciganos nos aspectos da educação, da saúde, do emprego e da habitação, tal como da“sensibilização sociale da denúncia pública”. A Fundação Secretariado Gitano tem um orçamento anual de €22m. O seu programa “Aceder” é actualmente um modelo de acesso dos ciganos ao mercado de trabalho normalizado. Estas actividades foram reconhecidas no documento da Santa Sé em 2006 “Orientações para uma Pastoral dos Ciganos” (ver CARAVANAS nº 40 e 43) em que se reconhece que “é consolador o apoio que a Igreja Católica tem dado, nas últimas décadas, à promoção social e a uma pastoral específica. Se a introdução de projectos de promoção humana é, em primeiro lugar, responsabilidade do Estado, é necessário que a Igreja Católica promova iniciativas concretas, dando espaço aos ciganos enquanto protagonistas.”