Ciganos muito mais assíduos na primária
Diário de Notícias (10 Jul)
Ciganos muito mais assíduos na primária
Aumento de 55% para 75% dos que acabam 1º Ciclo tem a ver com rendimento mínimo
Céu Neves constata que a taxa dos alunos de etnia cigana que terminam o 1º Ciclo passou de 55% em 1988 para 75% em 2001. A jornalista aponta como uma das causas a frequência das aulas ser um dos requisitos para as famílias receberem o Rendimento Social de Inserção (RSI). O problema coloca-se com o 2º Ciclo em que as escolas ficam fora do bairro. Segundo Fernanda Reis, Presidente do Secretariado Diocesano da Pastoral dos Ciganos de Lisboa (SDL), a grande quebra dá-se na passagem do 1º para o 2º ciclo. “As pessoas ainda não interiorizaram que a educação é fundamental. Gostam muito dos filhos, mas os meninos têm que se deslocar para fora dos bairros e eles fazem o que querem. E não vão à escola tal como os nossos filhos não iriam se deixássemos”.
O DN visitou o Centro Majari (Nossa Senhora), no Bairro da Quinta da Torrinha, na Ameixoeira, em Lisboa, onde vivem 200 famílias ciganas, com uma média de quatro crianças por núcleo familiar. Este Centro que é um dos vários jardins de infância do SDL, tem feito milagres, “tendo os espaços limpos, bonitos e bem equipados, onde nada se estraga ou se tira para levar para casa. Porque as crianças aprendem a preservar o que está bem preservado.” As crianças do bairro frequentam a primária. São poucas as que se mantêm no ensino. Em 2000/01 estavam inscritos 4116 alunos no 1º Ciclo e 402 no 2º. E mesmo duplicando este último valor, já que apenas tem dois anos, verifica-se uma redução de 80%. E no Secundário há um cigano nas escolas do Continente.