Os ciganos e a pobreza ‘playstation’
Diário de Notícias (12 Ago)
Os ciganos e a pobreza ‘playstation’
Neste artigo de opinião sobre os ciganos e os acontecimentos na Quinta da Fonte, João Miguel Tavares (JMT) manifesta admiração porque “a maior parte das famílias ciganas ali alojadas tinha rendas de casa abaixo dos cinco euros por mês e que, mesmo assim, não as pagava.”; e por se queixarem que foram assaltadas e que lhes roubaram “o DVD, o plasma e a Playstation das crianças.” E recorda que a maior parte dos ciganos recebe o RSI; menciona o texto de Rui Tavares a invocar o “preconceito anticigano”.
“Ninguém duvida que se trata da comunidade mais impopular (para utilizar uma palavra simpática) de Portugal e que o discurso sobre a subsiodependência dos ciganos tende a curvar rapidamente na direcção do mais reles racismo” afirma JMT que lança a questão: “será que, para fugirmos a esse tipo de acusações (racismo), estamos condenados a silenciar aquilo que são problemas evidentes de uma comunidade e um comportamento imoral de parte significativa dos seus membros?”
JMT reconhece que foi uma grande resistência “que lhes permitiu chegar até hoje com uma cultura própria, a muitos títulos admirável”.
Francisco Monteiro (FM) respondeu a JMT referindo que “apesar de alguns pontos de que discordo” o artigo consegue ser equilibrado. Acerca da resistência dos ciganos face a uma integração, FM recorda que esta resistência se deve “a uma feroz perseguição e exclusão que dura há cinco séculos”. E acrescenta: “é uma consequência e não uma causa.”
Em relação às ‘playstations’, FM refere que “para um cigano, pode haver fome, mas «os filhos são tudo».