“A vida dos ciganos é marcada pela pobreza”
Alegações finais: Maria do Rosário Carneiro (MRC), Deputada Independente eleita pelo PS
“A vida dos ciganos é marcada pela pobreza”
MRC preside à subcomissão parlamentar para a Igualdade de Oportunidades e Família que tem estado a ouvir várias pessoas e entidades sobre a comunidade cigana em Portugal. Dessas audições destaca que esta comunidade, há 500 anos em Portugal, “vive em exclusão”. Indicadores dessa situação são “o abandono escolar, a baixa escolaridade das crianças do sexo feminino e níveis altos de desemprego. Com a crise económica a actividade desta comunidade (a venda ambulante em feiras) tem sido seriamente afectada.” E acrescenta que “por outro lado, os seus elementos não logram integrar-se”, devido à discriminação.
“No contexto do mercado de trabalho e na procura de habitação para arrendar há discriminação e, em alguns casos, grupo étnico é sinónimo de estigma”. MRC refere que “um dos líderes que a subcomissão ouviu disse-nos que só conseguiu arrendar uma casa porque a mulher, que tem o tom de pele mais claro, quando se propôs alugar a habitação, se vestiu de forma diferente. Se fosse vestida como os ciganos se vestem, não teria conseguido, assegurou-nos.”
MRC considera que a vida dos ciganos portugueses “é marcada por um factor coincidente: a pobreza. Apesar de haver cidadãos desta etnia que conseguiram romper com este ciclo, o facto é que a forma de vida da comunidade está em decadência, o que dificulta a sua capacidade de autodeterminação material.”
No que refere aos realojamentos recorda que esta etnia não se queixa de ser realojada num prédio ou num andar. As críticas incidem “na falta de um espaço nestes bairros, onde possam arrumar em segurança as carrinhas que transportam as suas mercadorias.” E refere que muitas vezes não há acompanhamento prévio no realojamento. “É preciso que os realojados desejem as casas para onde vão e não se sintam despejados lá para dentro”, porque senão acabam por odiá-las “e, em pouco tempo, os bairros são vandalizados. Isto tanto acontece com a comunidade cigana como com qualquer outra.”
Em relação àquilo que os deputados podem fazer refere que irão ter mais audições até Setembro e “depois será elaborado um relatório, útil tanto para a esfera legislativa como para os decisores políticos.”