Repensar acção junto dos ciganos


Ecclesia (11 Mar)
Repensar acção junto dos ciganos
O Director da ONPC, Fr. Francisco Sales (FS) defende a necessidade de reestruturar a acção realizada pela Igreja junto deste povo. Em declarações à Ecclesia referiu que “é muito difícil trabalhar com eles. Mas este obstáculo e o facto de sermos cada vez menos para o muito que há a fazer não nos podem levar a colocar essa população no fim das nossas prioridades, optando sempre pelo mais fácil. É uma realidade que tem de ser enfrentada”. E acrescentou que a “mudança principal tem de verificar-se na mentalidade dos bispos e sacerdotes”.
FS reconheceu que algumas dimensões do trabalho da Igreja com este povo funcionam bem, todavia manifestou-se “completamente contra o sistema caritativo que se baseia exclusivamente na dádiva” porque “só cria dependência”. “Temos de fazer com que este povo seja o protagonista da sua auto-promoção”. No Brasil há 800 mil ciganos, na sua maioria, descendentes de potugueses, o que revela as sucessivas deportações a que foram sujeitos.
O Director da ONPC que foi um dos 25 participantes no Encontro de Directores Nacionais da Pastoral dos Ciganos na Europa (ver notícia neste nº), afirma que “o que mais se destaca desta assembleia é que a pobreza, discriminação e exclusão desse povo atingem todo o continente”. Os organismos eclesiais têm estado aquém das suas responsabilidades. “Há um fechamento quase completo das paróquias a esta população e uma falta de sensibilidade dos bispos para esta realidade”. E aponta como grande pecado da Igreja “o de calar e omitir”.
Numa Europa com cerca de 12 a 14 milhões de ciganos (a Roménia é o país onde são mais: 3 milhões), a situação desta população nos países do antigo bloco soviético é onde é mais preocupante, sobretudo na Hungria onde “tem havido confrontos e homicídios de ciganos; estes, por sua vez, respondem fazendo justiça pelas próprias mãos”. FS defende ainda que as atitudes de confronto dentro desta comunidade e com a sociedade, têm como raiz a discriminação e perseguição sofridas ao longo da história. Estes fenómenos transformam a sua cultura num gueto, conduzindo-as à auto-exclusão.
Para FS “o preconceito deve-se ao facto de eles serem um povo especial. Têm uma visão do mundo diferente da nossa”.