Igreja tem de conhecer e integrar a população cigana

Ecclesia (25 Jun) (internet)
Igreja tem de conhecer e integrar a população cigana
O Dia Nacional do Cigano quer assinalar a presença desta etnia em Portugal. Assim, tem como objectivo cimeiro “dar visibilidade e promover o contacto intercultural nas paróquias dada a distância que ainda se sente.”
São uma população de cerca de 50 mil ciganos em Portugal, mas que “continuam a encontrar estereótipos no relacionamento.” Há, portanto, segundo Francisco Monteiro (FM), a necessidade de aumentar as dinâmicas de inclusão “tanto a nível social como eclesial”. E afirma que “tanto a Igreja, como a sociedade, não conhecem “este povo e por isso acontece a rejeição”. Falar dos problemas e levantar estereótipos ajudam a “descontruir o passado a que este povo foi votado, de discriminação e perseguição.” Votados à discriminação, a etnia cigana “foi-se fechando”. A ONPC quer colocar esta etnia na opinião pública, para que falando, as pessoas se conheçam.
Há paróquias onde os ciganos se integram com a comunidade, mas também se encontram algumas onde não há qualquer contacto entre o pároco e o povo cigano. A maioria dos ciganos seguem o culto da Igreja Evangélica, em Espanha e em Portugal. FM explicou à Agência Ecclesia que este culto “ciganizou-se porque a Igreja deve ser cigana, entre os ciganos e a Igreja Católica não o fez”, porque há diferenças culturais e “há que as respeitar”; e adianta que outro motivo de sucesso deste culto “é o facto de os pastores desta Igreja serem ciganos”, conferindo uma identificação. Independentemente do conteúdo da liturgia, esta Igreja “teve uma influência enorme junto dos ciganos porque os levou a retomar valores na sua vida.”
FM também considera que a Igreja Evangélica Filadélfia Cigana de Portugal, deve dar mais atenção à parte social, porque “evangelizar sem atender aos aspectos sociais é uma evangelização muito curta.” Em Portugal, desde 1972 a ONPC apoia e acompanha o trabalho desenvolvido posteriormente em algumas dioceses e paróquias. Este trabalho revela “atenção e respeito pelos ciganos”. “A Igreja não pode demitir-se de tratar deles”. Há um caminho conjunto a fazer, “pois a Igreja não é cristã enquanto houver alguém, seja de que minoria for, que não for acolhido.”