Ciganos lamentam discriminação
Ecclesia (8 Abr)
Ciganos lamentam discriminação
Representantes da Igreja e associações civis reunidas em Fórum Ibérico
O povo cigano “foi e continua a ser discriminado há mais de 500 anos”, disse Dinis Abreu (DA), Presidente da CIGLEI (Associação Cigana de Leiria), no Fórum Ibérico sobre Etnia Cigana, em Lisboa. DA recordou que os ciganos têm uma “cultura própria e tradições diferentes, com regras de conduta que respeitamos, mas também são uma comunidade com vontade de modernização e com anseios de desenvolvimento e de progresso”.
Cansados de tanta discriminação, criaram o seu próprio modo de vida e actualmente, apesar da “forte vontade do cumprimento da lei”, DA lamenta que essas leis estejam desajustadas da vida real, e por isso, não contribuem “para um harmonioso desenvolvimento da etnia cigana”.
Na apresentação do «III Relatório sobre Portugal pela Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI): aspectos relativos aos ciganos», Fernando Ferreira Ramos, membro da ECRI, disse que “há um agravamento das situações das comunidades ciganas em Portugal”, e acrescenta que apesar dos esforços desenvolvidos pelas instâncias internacionais, existe “uma necessidade de prever e de adoptar uma estratégia nacional de luta contra o anti-ciganismo”.
D. António Vitalino (AV), Presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, afirmou à Agência ECCLESIA que “é necessário mudar a mentalidade sobre a etnia cigana” e “criar um certo acolhimento a estas minorias”. E apesar de reconhecer que até ao momento nenhum país conseguiu “a inclusão desta etnia”, AV refere que existem países “mais adiantados do que o nosso nesta área”.
DA pediu também ao Governo que “não nos ostracize ainda mais”.
António Pinto Nunes, Presidente da Federação Calhim Portuguesa, depois de apresentar os problemas da etnia cigana, alertou “os governantes para as manobras de aproximação que os ciganos estão a fazer no sentido da inclusão do nosso povo”. E acrescenta: “nós queremos que nos conheçam melhor”.