Deus: uma espécie de cigano na máxima perfeição
Ecclesia (8 Jul)
Deus: uma espécie de cigano na máxima perfeição
A ECCLESIA entrevista a Dra. Fernanda Reis (FR), responsável pela Pastoral dos Ciganos no Patriarcado de Lisboa. Questionada sobre o método de trabalho com os ciganos, FR refere que o objectivo é “chegar a alguns indivíduos e esperar que a evangelização decorra a partir da sua iniciativa, junto das suas próprias comunidades”. Recorda que as comunidades ciganas em Portugal “são um grupo em franca desvantagem em relação à sociedade maioritária” e identifica como problemas seus a escola, a habitação e a sobrevivência enquanto vendedores ambulantes. Conclui que “toda esta conjuntura faz com que eles não sejam parte activa nas decisões da sociedade, e alimenta uma série de preconceitos quanto aos ciganos”. Em relação aos jovens o Secretariado da Pastoral dos Ciganos tenta, sobretudo, ajudar aqueles que saem da escola muito novos para ficarem inactivos e procura organizar para eles cursos de formação profissional com escolarização. Outra aposta para os jovens é o curso de mediadores culturais onde eles são introduzidos no funcionamento das instituições e organizações políticas.
Questionada sobre o trabalho de evangelização, FR afirma que “os ciganos são crentes e acreditam num Deus que é uma espécie de “cigano na máxima perfeição”, o que dá origem a uma relação filial” cristã. A solidariedade e a fidelidade cega à família são outras características desta etnia. Reconhece que actualmente começa a haver um maior afastamento dos ciganos em relação à Igreja Católica, facto que se deve à existência da Igreja de Filadélfia criada por um cigano espanhol. Os próprios pastores são ciganos e as celebrações são muito vivas; FR refere que a direcção nacional organizou o “Projecto PALAVRA”, de formação e estudo da Bíblia, e acabou por admitir nesse curso gente que está na igreja evangélica.