Ciganos: Papa apela ao fim de perseguições
Ecclesia – internet (11 Jun)
Ciganos: Papa apela ao fim de perseguições
Bento XVI recebeu hoje no Vaticano uma delegação europeia de diversas etnias ciganas e Rom, diante da qual pediu o fim das perseguições a estas comunidades, lembrando em particular o seu extermínio durante a II Guerra Mundial.
O Papa pediu “que nunca mais o vosso povo seja objecto de opressão, de rejeição e de desprezo! Pela vossa parte, procurai sempre a justiça, a legalidade, a reconciliação e esforçai-vos por nunca ser causa de sofrimento para os outros”. Evocando a sua visita ao campo de concentração nazi de Auschwitz, em 2006, Bento XVI recordou os “milhares de mulheres, homens e crianças” ciganas que ali foram “barbaramente mortos”, naquilo que os ciganos chamam de “Porrájmos”, que quer dizer “a grande devoração”.
O Papa considera ainda que este é “um drama ainda pouco reconhecido, do qual ainda dificilmente se medem as proporções”. “A consciência europeia não pode esquecer tanta dor”, acrescentou.
O Papa disse que a história deste povo é “complexa e, em muitos períodos, dolorosa”; e acrescentou que “persistem problemas graves e preocupantes, como as relações muitas vezes difíceis com as sociedades nas quais viveis. Ao longo dos séculos, conhecestes o sabor amargo do não acolhimento e das perseguições”.
Bento XVI admitiu que hoje a “situação está a mudar”, com novas oportunidades para os ciganos e o reconhecimento de uma “cultura de expressões significativas” que “enriqueceu a Europa”. E acrescentou que este continente “que reduz as fronteiras e considera a riqueza da diversidade dos povos e das culturas”, convida o povo cigano a “escrever uma nova página na história”.
“A Igreja caminha convosco e convida-vos a viver segundo as exigências do Evangelho, confiando na força de Cristo, rumo a um futuro melhor”, concluiu Bento XVI.