Próximo encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT) realiza-se em Portugal
Ecclesia – internet (12 Abr)
Próximo encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT) realiza-se em Portugal
Obra Nacional para a Pastoral dos Ciganos vai procurar “sensibilizar a opinião pública e a Igreja” para a “discriminação” que tem atingido esta comunidade
A realização do próximo CCIT terá lugar em Fátima, de 23 a 25 de Março.
Frei Francisco Sales Diniz (FS), Director da ONPC, em declarações à Agência Ecclesia afirma que “vamos dar a conhecer um pouco da nossa realidade, ajudar a sensibilizar a opinião pública no nosso país, que é, se calhar, de todos os que conheço na Europa, aquele que mais discrimina os ciganos, onde existem mais preconceitos e não é só a sociedade mas a própria Igreja”.
FS afirma que a ONPC tem denunciado vários actos de anticiganismo, discriminação racial e xenofobia praticados contra esta etnia, como por exemplo o muro que foi colocado à volta do Bairro das Pedreiras, em Beja, que acolhe uma grande comunidade cigana. Mas salienta que este não é só um problema da sociedade, como também da própria Igreja Católica, já que “hoje raramente encontramos um cigano católico em Portugal, quase todos aderiram às Igrejas Pentecostais porque a Igreja Católica os marginalizou e abandonou”.
Refere ainda o facto de que “no mês de Junho vai haver uma audiência privada com o Papa, no Vaticano, em que pedem para enviar uma representação de cinco ciganos católicos por país, e eu estou com dificuldade de encontrar cinco para enviar”.
Sobre o encontro do CCIT que este mês decorreu na Holanda, sob o tema “No coração das fragilidades, a esperança”, para reflectir sobre as dificuldades dos ciganos na Europa, FS refere que as maiores fragilidades notadas “não estão nem nos ciganos nem nos pobres, estão nos ricos e nos poderosos, que devido à sua incapacidade em enfrentar a realidade, para a dominarem, utilizam a força e o poder para controlarem os outros”. A esperança para os líderes da Pastoral dos Ciganos, é que “tal como já sucedeu em outros momentos da História”, desta conjuntura resulte uma mobilização geral dos mais fracos e oprimidos, no sentido de verem os seus direitos atendidos.
O CCIT tem-se afirmado como “espaço de partilha de experiências” entre aqueles que, a nível europeu, trabalham em favor das comunidades ciganas.