Comunidade cigana alvo de discriminação

Ecclesia – internet (13 Fev)
Comunidade cigana alvo de discriminação
Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos aposta na informação e formação da sociedade
“A comunidade cigana é continuamente descriminada” e esta realidade “tem vindo a agravar-se nos últimos tempos”, afirma Francisco Monteiro (FM), Director Executivo da ONPC.
A denúncia surge no seguimento de a Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) ter divulgado um relatório onde afirma que a comunidade cigana enfrenta dificuldades que, segundo FM, nada surpreendem a ONPC que diariamente procura ajudar e encaminhar esta população. “Através dos Secretariados Diocesanos, alguns mais activos que outros, a ONPC presta um auxílio localizado” aos ciganos, com eles. Os principais problemas prendem-se com a falta de escolarização dos ciganos, e com a sua rejeição devido a serem ciganos, mesmo quando adquirem algumas capacidades de inserção no mercado de trabalho. Segundo FM, a discriminação é sentida também quer na compra quer no aluguer de uma casa, em algumas escolas e mesmo em alguns estabelecimentos comerciais. As situações podem ser denunciadas através do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, mas a maioria das situações passam despercebidas. Também algumas autarquias têm, segundo aquele responsável da ONPC, um papel negativo no seu tratamento com a população cigana.
No relatóri, a Comissão Europeia adianta ainda que Portugal não é um país racista, posição contrariada por FM que afirma que em Portugal só “não acontecem casos de violência, como nos países de leste.” A ONPC tem trabalhado em várias frentes, nomeadamente na auto-promoção da população cigana, tendo apoiado recentemente a criação da Federação Calhim Portuguesa, que visa dar voz às 18 associações de ciganos. Ao nível da educação, tenta-se restabelecer uma ligação com os mediadores sócio-culturais, com vista à escolarização das crianças ciganas, em especial das mulheres. Influenciar a opinião pública também é fulcral, procurando-se acabar com os estereótipos relativamente a “uma cultura que na realidade as pessoas não conhecem.” FM defende que se a opinião pública estiver mais e melhor informada “será mais receptiva e acolhedora da diferença cultural, não só dos ciganos mas de todos.”