“Da intervenção do Sr. D. Manuel Felício destaco: “Quando falamos de evangelização e promoção humana, no contexto do mundo e da cultura dos ciganos, impõe-se, por um lado reconhecer e aproveitar os muitos valores que eles transportam consigo…”

EDITORIAL
Dando cumprimento às recomendações do Encontro dos Directores Nacionais da Pastoral dos Ciganos em Dezembro de 2006, em Roma, “de trabalhar por favorecer o acolhimento e uma apropriada aplicação das ORIENTAÇÕES da Santa Sé para uma Pastoral dos Ciganos, realizaram-se em Fátima em 4 e 5 de Outubro, as Jornadas Nacionais de aprofundamento do referido documento. Decorreram com grande nível sendo de realçar as conferências proferidas pelos Senhores Bispos D. Manuel Felício e D. António Marcelino.
Da intervenção do Sr. D. Manuel Felício destaco: “Quando falamos de evangelização e promoção humana, no contexto do mundo e da cultura dos ciganos, impõe-se, por um lado reconhecer e aproveitar os muitos valores que eles transportam consigo: por um lado, reconhecer que, como todas as outras culturas, a dos ciganos não é completa e também pode incluir erros, devendo assumir a coragem e a humildade de se deixar completar e eventualmente corrigir em pontos que, por si mesmos, estão desajustados à justiça e promoção da dignidade humana. Sendo assim parece-nos de justiça destacar de positivo, na cultura cigana, a grande fidelidade às tradições do seu povo, tradições que passam de geração em geração; destacar também o culto da família nuclear e alargada. É realmente forte o sentido da família, de grupo e mesmo de clã dentro da etnia cigana. Destaca-se ainda um forte sentido religioso da vida, o que é também motivado pelo seu nomadismo.
Todavia, dentro do princípio da complementaridade, impõe-se ajudar os ciganos a corrigirem comportamentos e a adquirirem novos hábitos que lhes permitam participar cada vez mais nos bens da sociedade dominante, o que só se consegue através de um processo de integração, que, como dissemos acima, não pode ser confundido com a simples assimilação.”
Também o Sr. D. António Marcelino “mergulhou” na pastoral dos ciganos com muita profundidade e actualidade.
As conclusões resumem um pouco o elevado teor das conferências. Realço: “Evangelizar no contexto do respeito pelos valores da cultura cigana é promoção humana, a qual levará os ciganos a serem protagonistas quer do seu próprio desenvolvimento quer da sua evangelização. Neste sentido, uma liturgia que reflicta a cultura cigana e a promoção de vocações ciganas são objectivos a implementar.”
Esperamos bons frutos de toda esta “sementeira”.
P. Amadeu Dias Ferreira