EDITORIAL
Nos tempos que decorrem, dentro de um mundo globalizado pela economia mundial, onde prevalecem os interesses económicos em detrimento do respeito pela dignidade humana, em particular pela dignidade dos mais fracos e das minorias étnicas, pôr-se ao lado dos mais frágeis, e no nosso caso, pôr-se ao lado do povo cigano, trata-se de fazer uma opção preferencial pelos mais pobres, aqueles que foram proclamados bem-aventudados por Cristo no Sermão da Montanha.
Ao assumir a direcção da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos tomamos consciência que este se trata de um trabalho com características específicas, cheio de dificuldades, não só devidas à tipicidade da cultura cigana mas, sobretudo, devido à desconfiança existente na sociedade, a qual, ao longo da história, tem levado o povo cigano a uma marginalização por toda a Europa, a qual também se manifesta em Portugal.
O povo cigano, como qualquer outro povo, tem direito ao crescimento cultural e à promoção do seu bem-estar social. Tem direito a uma vida digna, onde a sua identidade cultural seja respeitada e acolhida. A nossa missão, como Igreja Católica, consiste na promoção do respeito mútuo, entre o povo cigano e a sociedade portuguesa em geral, uma atitude que permite a descoberta dos valores que possibilitam o reconhecimento da própria dignidade e da dignidade do outro e que promove a aceitação legítima do lugar que todos têm nesta sociedade que a todos pertence.
Ser cristão é viver como construtor da obra de Cristo, como aquele que assume como tarefa principal, no que se refere à relação com o povo cigano, a promoção de uma pastoral centrada nos valores do Evangelho, centrada no respeito pela dignidade e igualdade fundamentais de cada pessoa humana, formada à imagem e semelhança de Deus, ou seja, centrada na salvaguarda da sua dignidade e no respeito do seu ser e da sua identidade.
Gostaria, ao iniciar o meu mandato de Director da ONPC, de estender a minha gratidão e a gratidão de todos os que trabalham na Igreja Católica Portuguesa com o Povo cigano, tantas vezes incompreendido e maltratado pela história humana, ao Rev. Padre Amadeu Dias Ferreira que, durante três anos, foi o Director da ONPC e do Jornal “A Caravana”. Como gratidão pelo seu trabalho dedicado só podemos utilizar a gratidão do próprio Deus que, através de Jesus diz: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes” (Mt 25,40).
P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.