No tempo do globalismo, da mobilidade geral, onde palavras como tolerância, paz direitos humanos e interculturalidade estão na ordem do dia, Portugal foi surpreendido pelos recentes acontecimentos do Bairro da Quinta da Fonte, no Concelho de Loures.
EDITORIAL CARAVANA
No tempo do globalismo, da mobilidade geral, onde palavras como tolerância, paz direitos humanos e interculturalidade estão na ordem do dia, Portugal foi surpreendido pelos recentes acontecimentos do Bairro da Quinta da Fonte, no Concelho de Loures. A comunicação social difundiu uma mensagem que levou a opinião pública a pensar estar perante uma situação de guerra inter-étnica, com manifestações de racismo, xenofobia e intolerância.
A realidade do Bairro da Quinta da Fonte e de outros bairros sociais da área metropolitana de Lisboa é uma realidade complexa, porque aí vivem pessoas provenientes de diversas etnias: nascidas em Portugal ou fruto das migrações e descolonização portuguesa.
A convivência entre pessoas com a mesma base cultural é, por vezes difícil, porque o ser humano, por si só, já é complicado. Se tivermos em conta a diversidade de universos culturais e de percepção da realidade, tão diferentes de cultura para cultura, de etnia para etnia, conseguimos entender a complexidade e dificuldade de relações que, por vezes, encontramos nos bairros sociais. A par desta realidade, há que não esquecer os níveis de pobreza, e também alguma criminalidade promovida pela busca de dinheiro fácil.
Portugal foi pioneiro e responsável, na sua diáspora nacional, pela mistura entre povos e culturas nos cinco continentes, por isso, todas as manifestações racistas ou xenófobas que ponham em causa a convivência pacífica entre as pessoas que vivem no país, e que causem sentimentos de insegurança e de medo, são intoleráveis.
Nós, os católicos, acreditamos que Deus não faz distinção de pessoas; em Deus não há cigano ou africano, russo ou chinês, negro ou branco, todos são filhos de Deus, com igual dignidade, criados à imagem e semelhança de Deus.
O Jornal “A CARAVANA” solidariza-se com todos os irmãos que, por este país fora, vivem em situações de insegurança, medo, pobreza e injustiça. Solidariza-se, de uma forma particular, com o Povo Cigano, tantas vezes incompreendido, perseguido, marginalizado e injustiçado ao longo da sua história. De mãos dadas vamos conseguir que, um dia, todos vejam os seus direitos reconhecidos, tenham os meios para viverem uma vida digna, vivendo a sua diversidade cultural e identitária na sociedade portuguesa, sentindo-se totalmente integrados, mas sem perda do mais belo e genuíno que a cultura cigana tem; ou seja, sem perda da identidade da cultura cigana, porque é esta que faz com que um cigano seja realmente cigano.
P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.