Ao olharmos para a realidade do nosso país, no contexto da União Europeia, damo-nos conta que Portugal é um dos países da Europa com os mais elevados níveis de pobreza e de assimetrias ao nível dos rendimentos das pessoas. Na verdade, Portugal sempre foi um país pobre, onde a maior parte da população vive com rendimentos inferiores às necessidades básicas que permitem a pessoa viver com o mínimo de dignidade humana.

EDITORIAL
Ao olharmos para a realidade do nosso país, no contexto da União Europeia, damo-nos conta que Portugal é um dos países da Europa com os mais elevados níveis de pobreza e de assimetrias ao nível dos rendimentos das pessoas. Na verdade, Portugal sempre foi um país pobre, onde a maior parte da população vive com rendimentos inferiores às necessidades básicas que permitem a pessoa viver com o mínimo de dignidade humana. De facto, ser pobre é não ter o mínimo indispensável que permite à pessoa viver a sua dignidade em plenitude.
As situações de pobreza e exclusão social em Portugal são gritantes. O clamor dos pobres e excluídos chegam permanentemente aos nossos ouvidos mas, infelizmente, não chegam à consciência dos decisores políticos nem daqueles que indevidamente se apropriam dos meios e riquezas que são de todos e que ficam sempre impunes face aos actos criminosos promovidos pela sua ganância.
Os fenómenos de pobreza e exclusão social em Portugal concentram-se particularmente em zonas de base rural, com menos dinamismo económico e nas zonas de maior concentração urbana, mais especificamente nas áreas metropolitanas das grandes cidades.
Os ciganos estão entre os mais afectados pela pobreza e exclusão. Trata-se de uma pobreza e exclusão históricas que, cada vez mais, se acentua devido à crise do comércio tradicional provocada pelo sistema económico neoliberal que está implantado nas nossas sociedades e que é o causador da profunda crise que o mundo atravessa. A maior parte das feiras do país desapareceram, foram suplantadas pelas grandes superfícies comerciais, o que retirou à população cigana o seu principal meio de sobrevivência. Muitas famílias, que já eram pobres, têm caído na profunda miséria abrindo-se, assim, ainda mais, o fosso da exclusão e marginalização a que a comunidade cigana tem sido votada ao longo dos séculos. Esta realidade tem levado alguns ciganos a procurarem alternativas, que nem sempre são as melhores. Alguns têm mesmo caído na tentação do mais fácil, de que é exemplo o tráfico de droga, o que, para além de ser um grande empobrecimento dos valores de que é portadora a cultura cigana, tem contribuído para acentuar os estereótipos em relação aos ciganos. De facto, as sociedades têm sempre tendência a julgamentos generalistas: paga o todo pela parte.
A pobreza e a exclusão continuarão enquanto os poderes estiverem nas mãos de pessoas que esbanjam as finanças públicas, ou seja, que destroem o que permitiria promover uma verdadeira justiça social onde ninguém se sentisse excluído.
Ricos e pobres sempre os houve e vai continuar a haver, o que é inaceitável é a injustiça na distribuição da riqueza, é a não criação de oportunidades em pé de igualdade para todos, é a forma como alguns enriquecem através da exploração do outro.
Alguém disse, e com certa razão: “Ainda bem que há pobres e excluídos, caso não os houvesse, onde se fundamentaria o discurso político para ganhar votos?”