Num mundo em permanente mudança, a Pastoral dos Ciganos também está sujeita à mudança e à evolução, exigindo da Igreja renovadas estratégias pastorais, novas vias e métodos mais adequados às circunstâncias em que vivem os ciganos na actualidade.


Editorial
Num mundo em permanente mudança, a Pastoral dos Ciganos também está sujeita à mudança e à evolução, exigindo da Igreja renovadas estratégias pastorais, novas vias e métodos mais adequados às circunstâncias em que vivem os ciganos na actualidade.
A Igreja continua a exprimir a sua solicitude pelos Ciganos através duma pastoral específica, que tem em conta as suas particularidades culturais e respeito pela sua identidade e diversidade. É nesta lógica que a Igreja procura acompanhar os Ciganos com a mesma predilecção e amor com que Jesus Cristo amou os pobres e sofredores, os abandonados e marginalizados. Na verdade, para a Igreja, toda a ofensa contra os direitos humanos fundamentais das pessoas, é uma ofensa feita contra os desígnios de Deus e, por isso, na Igreja não podem existir desigualdades e discriminações por causa da origem étnica, nacionalidade, condição social ou sexo.
Hoje, os Ciganos, não são ignorados ou abandonados ao seu destino, nem pela Igreja nem pela Sociedade, como eram no passado, no entanto, ainda, muitos encontram graves dificuldades em atingir o coração da Igreja ou encontram-se em situações de marginalização e guetização: excluídos dos benefícios sociais, impelidos a viver em condições de pobreza e isolamento extremos. Os preconceitos e estereótipos rígidos e fortemente enraizados na sociedade e em alguns sectores da Igreja, continuam a impedir o desenvolvimento e a maturação de atitudes de abertura, aceitação, solidariedade e de respeito mútuos.
Na sociedade foram abertas numerosas vias de esperança para os ciganos, com o sucessivo interesse e mobilização de organizações nacionais e internacionais, que se concretizam no surgimento de novas estratégias e processos de mudança. As transformações actualmente em curso, são um contributo para travar atitudes racistas e xenófobas, para erradicar preconceitos e estereótipos, para combater o anticiganismo e para criar novos instrumentos de protecção dos direitos dos ciganos.
No contexto do “Ano Europeu de luta contra a pobreza e a exclusão social”, constata-se que uma mudança é possível. A pobreza e a exclusão social não são inevitáveis, se forem enfrentadas com o empenho de todos e com a criação de condições capazes de oferecer soluções à desfavorável situação social e económica dos ciganos.
Pelo seu compromisso de fé, os cristãos são obrigados a olhar o mundo dos ciganos com amor, conscientes de que até agora não se tem sido, suficientemente capazes de o fazer. À luz do Evangelho os cristãos são chamados a interiorizar as suas próprias convicções de fé, recordando que os ciganos são irmãos e irmãs em Cristo e que, no fundo, desejam apenas ser amados, numa dinâmica de vivência da caridade cristã, que se expressa no amor ao próximo.
P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.