Ao olharmos para as situações geradoras de conflito entre os seres humanos, percebemos que estas nascem, quase sempre, na dificuldade que existe nas relações humanas de aceitação das diferenças culturais, étnicas, de mentalidade e de valores de cada pessoa. A verdade é que o ser humano, nas suas relações, tem sempre tendência a querer moldar o outro ‘à sua imagem e semelhança’, procurando que o outro pense, veja e aja como ele.

Editorial Caravana
Ao olharmos para as situações geradoras de conflito entre os seres humanos, percebemos que estas nascem, quase sempre, na dificuldade que existe nas relações humanas de aceitação das diferenças culturais, étnicas, de mentalidade e de valores de cada pessoa. A verdade é que o ser humano, nas suas relações, tem sempre tendência a querer moldar o outro ‘à sua imagem e semelhança’, procurando que o outro pense, veja e aja como ele.
Esta realidade, por vezes, ultrapassa os indivíduos e estrutura-se nas sociedades e organizações, levando a uma rejeição do diferente, particularmente daquele que resiste a deixar-se moldar pela maioria. Esta rejeição, em muitos casos, assume a forma de exclusão e discriminação e, frequentemente, manifesta-se de forma violenta em atitudes racistas e xenófobas.
Lamentavelmente, ao longo da sua história, a Comunidade Cigana tem sido discriminada e segregada devido ao seu ser diferente. Ao longo dos anos tem sido negado aos ciganos o direito a existir segundo os valores e princípios da sua cultura, o que tem provocado um fecho da comunidade e a criação de mecanismos de defesa contra aqueles que, à viva força, querem anular a identidade cigana.
Felizmente que já se começa a notar uma tomada de consciência por parte da Comunidade Cigana sobre os seus direitos como minoria étnica, pois esta já não permanece calada face às injustiças e discriminações, mas denuncia-as e exige que os direitos lhe sejam reconhecidos.
É necessário que, cada vez mais, a Comunidade Cigana assuma o seu destino nas próprias mãos, isto é, que se torne o sujeito da sua promoção humana e esteja na linha da frente na luta pelos seus direitos. Terminar com a discriminação e racismo a que os ciganos têm sido votados, assim como sair da pobreza onde a maioria vive imersa, depende de muitos factores a nível social e político mas, sobretudo, depende da não resignação com a situação.
Para ser fiel à sua missão e à Palavra de Jesus, a Igreja não pode, nunca, ficar calada face a manifestações discriminatórias e de racismo contra seja quem for e, mesmo que seja no seu seio, esta deve agir contra todas as situações que contradizem a mensagem evangélica e desacreditam a sua acção. Em todos os seus sectores, a começar pelas Paróquias, a Igreja tem de agir sempre em favor dos mais pobres e frágeis, acolhendo-os e defendendo-os de todo o tipo de discriminação, só assim estará a ser fiel à Palavra de Jesus:”Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes”” (Mt 25, 40)
P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.