Editorial Caravana 69

 

O Governo Português, em resolução do Conselho de Ministros, aprovou recentemente a Estratégia nacional para a integração dos Ciganos. Esta foi uma exigência da União Europeia que disponibiliza a maior parte dos fundos para a implementação da estratégia, o que, em princípio, irá permitir uma intervenção em áreas fundamentais promotoras do respeito pelos direitos humanos e dignidade da pessoa.

 

Quem trabalha no terreno sente, com frequência, o quanto a comunidade cigana é discriminada nos diversos âmbitos da vida social e, também, devido a essa discriminação e ao facto de ser uma minoria, o quanto esta se fechou à sociedade envolvente, criando mecanismos de defesa, afastamento da vida social e demitindo-se do exercício da própria cidadania. São estas situações que é necessário alterar e ao encontro das quais procuram ir as áreas de intervenção da estratégia nacional.

Para nós cristãos, todo o ser humano é um ser único, irrepetível, criado por Deus e redimido por Cristo. Para nós não existe distinção de pessoas, “não há judeu nem grego, nem escravo nem homem livre” (Gal. 3, 28), somos todos iguais, sujeitos da mesma dignidade, dos mesmos direitos, mas também dos mesmos deveres. Por isso, congratulamo-nos com todas as iniciativas que promovem a vida humana e contribuem para que as pessoas, particularmente a mais frágeis e marginalizadas, atinjam a plenitude da sua dignidade de filhos de Deus.

Apesar da situação económica difícil que Portugal e a Europa atravessam, o que leva a que os meios disponíveis para investimentos, sejam cada vez mais escassos, os governantes, a sociedade e a Igreja não podem, nunca, deixar de investir na promoção dos mais pobres e excluídos, pois só assim se poderá recuperar o valor da vida humana que a cultura ultraliberal economicista destruiu.

 

P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.