EDITORIAL CARAVANA

 

Neste momento em que a Igreja está a celebrar o Sínodo dos Bispos sobre os desafios pastorais sobre a Família é interessante lermos os títulos bombásticos que aparecem na imprensa escrita, ou o início de algumas notícias nos telejornais.

Em certo telejornal a notícia sobre o Sínodo começou da seguinte forma: “Papa Francisco reúne Bispos de todo o mundo, em Roma, para discutirem o casamento de pessoas do mesmo sexo e dos divorciados”.

Esta realidade, para além de manifestar a falta de ética e de princípios de alguma comunicação social, que usa todos os meios para conquistar audiências, manifesta, sobretudo, o desconhecimento da verdadeira preocupação da Igreja, que é a de voltar a colocar a Família, como o valor mais sagrado, instituído por Deus, no centro da vida humana.

Apesar da muita pobreza e exclusão que a comunidade cigana sofre, esta conserva no seu estilo de vida alguns valores que as sociedades decadentes do nosso tempo deveriam assumir. Entre estes valores está a Família, vista como o valor mais sagrado.

A Família é o mais importante elemento da cultura cigana. O amor pela família está acima de tudo. As crianças recebem amor, carinho e liberdade, pois serão elas que levarão avante a continuidade da existência da Família. Na Família Cigana todos são respeitados e têm papéis bem definidos: o homem é respeitado e exerce as funções de chefia; as mulheres são as educadoras dos filhos e são respeitadas como mães; os anciãos são guardiãs e transmissores da cultura, são respeitados pois são os detentores das tradições.

No seio da Família Cigana, o seu maior tesouro são os anciãos. Isto deveria ser uma boa lição e um bom exemplo para a sociedade maioritária que pouco respeita os seus idosos e olha para eles como um peso, um elemento improdutivo, algo descartável, sem utilidade.

O Sínodo dos Bispos só atingirá verdadeiramente o objectivo para o qual foi convocado se ajudar a cultura do nosso tempo a recuperar o modelo de Família, como foi instituído por Deus, onde todos sejam respeitados e amados, em particular os mais velhos, e onde se promova verdadeiramente uma cultura da vida e do amor, e não de morte, violência ou instrumentalização do outro.

P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.