EDITORIAL CARAVANA

 

A questão da exclusão dos ciganos nas sociedades europeias ao longo dos séculos, que continua tão presente nos nossos dias, tem levado diversas entidades a tomarem iniciativas para promover a sua integração nas comunidades maioritárias.

 

Apesar de todas as iniciativas, e de momento contamos com o Quadro Europeu para as Estratégias Nacionais de Integração dos Ciganos, e em Portugal, a Estratégia Nacional para a Integração dos Ciganos, não se nota, salvo algum caso esporádico, que estas iniciativas têm surtido o efeito para o qual foram criadas, possivelmente porque não atingem a principal causa que promove o permanente estado de exclusão da população cigana.

 

A história europeia, marcada por uma permanente perseguição às populações ciganas, criou estereótipos tremendamente pejorativos e promoveu uma cultura de preconceito por parte da população maioritária. Esta realidade levou ao surgimento dum racismo e discriminação generalizados que afastou ambas comunidades que, por viverem no mesmo espaço geográfico, têm de manter algum tipo de relação que, no geral, se pauta por atitudes de ataque e defesa, e vice-versa.

As atitudes de preconceito contra a comunidade cigana não acontecem apenas no âmbito da sociedade: infelizmente, também na nossa Igreja nos deparamos com frequentes situações e atitudes de total rejeição dos ciganos, o que levou à quase total adesão dos ciganos às igrejas evangélicas, pois são muito poucos os que permaneceram católicos.

O maior investimento para promover uma verdadeira integração dos ciganos deve ser num tipo de educação e sensibilização dirigidas a toda a população com vista a mudar os corações para que as mentalidades também mudem e deixem cair os preconceitos.

O Santo Padre Bento XVI, numa total fidelidade a Deus que não faz acepção de pessoas, promoveu há alguns anos um encontro com ciganos de diversos países. Na mesma linha, o Papa Francisco convocou uma peregrinação e um encontro em Roma para o próximo mês de Outubro. Coloquemos esta intenção nas nossas orações, para que esta iniciativa do Santo Padre seja um grande sinal para o mundo de que deve eliminar todo o preconceito que promove a exclusão e marginalização e para que a Igreja, particularmente a Igreja de Portugal, abra o seu coração e as suas portas a todos, testemunhando, assim, uma total fidelidade ao Evangelho de Jesus, fidelidade essa que pode ser resumida na expressão do Papa Francisco: Uma Igreja que vai ao encontro das periferias”, e podemos afirmar que os ciganos são a periferia das periferias.

P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.