EDITORIAL CARAVANA 77
“Nós somos todos iguais, porque Deus nos criou no mesmo dia”. Esta é uma frase famosa, que dá que pensar, proferida pelo cigano Damian Draghici, deputado do Parlamento Romeno.
Praticamente desde que há notícia da presença do povo cigano em território europeu que esta presença é marcada por um forte anticiganismo que tem percorrido os séculos e continua, de forma escandalosa, presente na Europa do nosso tempo.
Apesar dos esforços feitos pela União Europeia, pelos governos nacionais e, em particular pelas instituições civis e religiosas presentes no terreno, o progresso para acabar com este drama, este pecado contra o próprio Deus, não tem sido significativo. Todos os dias surgem novas esperanças e novas desilusões. Quando se pensa que se está a caminhar surgem episódios pontuais, menos positivos, que vêm reavivar os estereótipos generalizados que estão na base do anticiganismo e da descriminação que sofre esta faixa da população europeia.
Hoje, felizmente, vai surgindo no seio da comunidade cigana uma geração jovem com uma mente mais aberta para interagir com jovens não ciganos, o que é facilitado pelos novos meios de comunicação que permitem aos jovens fazer novas amizades que fogem ao controle dos mais velhos que continuam a promover um sistema de comunidade fechada, alienada, à margem da sociedade maioritária, o que, no nosso entender, poderá ser um meio que ajudará a ultrapassar a situação de marginalização secular vivida pelo povo cigano.
Sabemos que não será fácil eliminar estereótipos enraizados há séculos na cultura europeia, mas, particularmente os cristãos têm que tomar consciência do pecado mortal que é a descriminação de qualquer ser humano, porque todos foram criados por Deus e são seus filhos.
Esperamos que a próxima peregrinação dos ciganos a Roma, promovida pelo Papa Francisco para os dias 23 a 26 de outubro, para celebrar os 50 anos do encontro do Papa Paulo VI com os ciganos em Pomezia, contribua para ajudar a eliminar o anticiganismo e a discriminação dos ciganos no mundo e na própria Igreja, e que, finalmente, o que o Papa Paulo VI disse aos ciganos há 50 anos se torne em verdadeira realidade: “Na Igreja, vós não estais à margem, mas, no centro, no coração. Estais no coração da Igreja… É aqui na Igreja que vós tomais consciência que não sois só companheiros, colegas, amigos, mas, que sois irmãos; e não só entre vós e connosco, mas, irmãos de todos os homens.”
P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.