EDITORIAL CARAVANA 78
Ao olharmos para o mundo em que vivemos não deixamos de nos espantar pelo facto das sociedades humanas, em pleno século XXI, continuarem tão violentas, tão injustas e tão descriminantes em relação a algumas parcelas humanas que se diferenciam pela sua cultura, tradições, religião…
Será que a humanidade alguma vez conseguirá encontrar caminho para uma convivência pacífica e fraterna? Será que algum dia iremos ver no nosso mundo o fim da guerra, do ódio e da violência, muitas vezes promovidos em nome de Deus e que, tal como noutros tempos da história, agora provoca tantos milhões de vítimas e tanto sofrimento? Será que alguma vez iremos ver os excluídos da nossa sociedade a serem respeitados nos seus direitos fundamentais, em particular no seu direito a uma habitação condigna e ao acesso ao mercado de trabalho em igualdade de circunstâncias com todos os outros membros da sociedade?
Esperamos que o encontro do Papa Francisco com os ciganos, a realizar em Roma nos finais de Outubro, seja verdadeiramente um grito profético de denúncia das tremendas injustiças que esta faixa da população europeia tem sofrido ao longo dos séculos e que continua nos nossos dias. Esperamos que o encontro seja também uma chamada de atenção à população cigana para a necessidade de promover a sua própria integração na sociedade, o que não implica uma perda de identidade cultural e étnica, mas passa pelo respeito e pelo assumir das regras e do direito das sociedades onde vive.
Hoje, mais do que nunca, abre-se um horizonte de esperança para que a efectiva integração dos ciganos na sociedade seja uma realidade. A Europa transformou-se e já não é composta por populações homogéneas. Sendo esta uma realidade multicultural e multiétnica, onde se vive uma maior abertura para o acolhimento do diferente, acreditamos que esta realidade é, na verdade, uma mais-valia que pode contribuir bastante para uma efectiva integração dos ciganos.
P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.