EDITORIAL CARAVANA 81

Há alguns dias fomos surpreendidos pela ampla cobertura mediática do baptismo do futebolista Ricardo Quaresma e dos seus dois filhos, Ricardo e Kauana, realizado na Igreja de Pero Pinheiro. A surpresa deve-se ao facto de muitos terem a ideia errada de que os ciganos não são católicos, mas sim evangélicos, o que não é verdade, pois, em Portugal, ainda existe um bom número de ciganos católicos que se orgulham disso e procuram preservar e viver a fé e as tradições religiosas herdadas dos seus antepassados.

 

Historicamente a população cigana da Europa, ao longo dos séculos, foi, na sua maioria, católica. Só em meados do Século XX começou a emergir no seio da Comunidade Cigana uma tendência para a conversão às Igrejas Evangélicas, o que se deveu não só ao forte proselitismo dessas Igrejas, mas também ao abandono que a população cigana vivia por parte da Igreja Católica.

 

Apesar da maioria dos ciganos portugueses serem evangélicos, no nosso País ainda são muitos os ciganos que se baptizam, fazem a Primeira Comunhão e o Crisma e se casam na Igreja Católica, não sendo motivo de notícia porque não são figuras públicas. O mediatismo do Baptismo de Ricardo Quaresma veio dar visibilidade ao catolicismo de muitos ciganos e ajudar a desmontar o preconceito de que os ciganos não são católicos e, por isso, não vale a pena investir na sua evangelização. Veio, também, mais uma vez, demonstrar que a fé em Jesus Cristo, vivida no seio da Igreja que Ele fundou, é uma realidade para todos os homens e mulheres, independentemente da sua origem étnica, cultural ou linguística.

Ao Ricardo Quaresma e aos seus filhos desejamos as maiores felicidades e bençãos de Deus. O seu baptismo é um gesto profético que não deixará de questionar muitos irmãos da Comunidade Cigana, à qual ele se orgulha de pertencer; é também um contributo que irá ajudar a Igreja Católica a reflectir sobre a necessidade de uma maior abertura e empenho na evangelização do povo cigano.

P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.