Expresso (18 jul) – DIVERSOS

Polémica: Presidente da Câmara de Estremoz acusado de xenofobia por impedir entrada de ciganos nas piscinas municipais

Cigano não entra

Há mais de uma década que um grupo de ciganos no bairro das Quintinhas, em Estremoz, vai construindo barracas de tijolo, madeira, lona e chapas de zinco. As crianças da família de Elias Cardoso tentam enganar os 39 graus saltitando entre alguidares de água e poças enlameadas. Elias nega que tenham sido os ciganos a sujar a piscina, embora tenham lá estado no dia em que foram acusados; “qualquer coisa que acontece são logo os ciganos. E agora não nos deixam ir às piscinas, é racismo. O presidente não nos dá condições. Olhem como vivemos. Não temos água. Há racismo em Estremoz.”

 

Segundo Andreia Peixe, diretora técnica das piscinas, esta não é a primeira vez que há problemas naquelas instalações. O ano passado “um indivíduo, que não é cigano, provocou desacatos, foi identificado pela PSP e ficou proibido de entrar. Mas também houve distúrbios com membros de etnia cigana. Perante aquelas situações, a câmara resolveu começar a pagar gratificados à PSP para ter diariamente na piscina, entre as 15h e as 19h, um agente de autoridade. O papel da PSP é o mais criticado por não ter sido capaz de identificar os últimos prevaricadores.

 

O vice-presidente Francisco Ramos defende que esta não é uma medida contra a comunidade cigana, mas apenas contra aquele grupo, uma vez que “o concelho tem cerca de 300 ciganos e a maior parte estão integrados”. Dá o exemplo dos ciganos de Santiago, ou de um outro bairro de Estremoz, que “continuam a frequentar as piscinas sem problemas.”