Itália recua nas impressões digitais dos ciganos

Itália recua nas impressões digitais dos ciganos
Indiferença perante a morte de dois ciganos, numa praia no norte de Itália, chocou meio mundo e fez capas de jornais, ao mesmo tempo que o país discute a lei das impressões digitais
Sem admitir oficialmente o Governo conservador italiano não irá tirar as impressões digitais dos ciganos menores. O executivo de Berlusconi foi criticado pela UNICEF, Parlamento Europeu, ONU e Vaticano. Graciano Alilovic, secretário da Federação das Associações de Ciganos, afirma que só serão tiradas as impressões digitais dos ciganos maiores de 14 anos quando “não possam ser identificados de outra maneira.” Aos ciganos entre 6 e 14 anos, “só quando os pais pedirem licença de residência em Itália” e aos menores de 6 anos, “só quando estiverem abandonados ou se suspeite que são vítimas de algum delito”, como roubo ou tráfico de órgãos.
Em Abril o Governo decretou que se recenseassem todos os campos de nómadas que o Ministério do Interior estimava em 150 mil pessoas, 25 a 40 mil das quais, com nacionalidade italiana. A comunidade Santo Egídio calcula que os ciganos italianos são cerca de 70 mil. Alguns encontram-se em Itália há 500 anos, mas a maioria chegou por causa da guerra nos Balcãs (1991-1999).
Ilvo Domingues, especialista em análises sociais, afirma que os italianos estão a tornar-se racistas, já que 75% pedem que se desmontem os acampamentos de nómadas e 90% solicitam mais polícias e mais câmaras de vigilância nas ruas. “O aspecto positivo da lei é que pela primeira vez, se enfrenta a situação dos acampamentos e das crianças”, explica o especialista na população cigana Paulo Liani. A parte negativa é que, depois do recenseamento, podem ser expulsos os que carecerem de meios económicos.