Faro expulsa ciganos

Expresso (26 Jul)
Faro expulsa ciganos
O Presidente da Câmara Municipal de Faro, José Vitorino, quer expulsar os ciganos do seu território. O conflito aconteceu na terça–feira durante a reunião da câmara, quando um autarca foi interpelado por um dos três vereadores socialistas sobre a afixação de um edital que determinava o abandono do concelho por parte de famílias ciganas, por alegadamente terem causado distúrbios entre moradores da cidade. O gabinete de Relações Públicas da Câmara de Faro já no dia 17 de Junho emitira uma Nota de Imprensa onde dá conta de protestos devido a “desacatos” e “roubos” atribuídos a ciganos, e onde se diz que “o Presidente da Câmara já mandou afixar um edital nos locais mais problemáticos, tornando público que, caso as pessoas de etnia cigana ou outras persistam em tais condutas, recorrer-se-á às forças da ordem e terão de abandonar o Concelho”. A Nota de Imprensa assegura ainda que “não serão aceites no concelho mais populações nómadas”.
O Expresso noticia ainda que mais de duas dezenas de professores do Ensino Básico que trabalham com cidadãos de etnia cigana escreveram uma carta ao autarca onde repudiam “o conteúdo das afirmações que Vitorino proferiu acerca da expulsão do concelho de Faro de todos os elementos das minorias que praticassem qualquer crime”. E interrogam Vitorino sobre “que juízo farão os alunos que formamos, como elemento de uma escola inclusa, das afirmações que vieram a lume e lhe são atribuídas?” Igualmente é noticiado que uma fonte do Ministério da Administração Interna diz “lamentar a atitude do Presidente da Câmara de Faro por não se enquadrar no actual modelo democrático constitucional”.