O 28º país da Europa


O 28º país da Europa
Presentes na Europa desde o século XV, os ciganos formaram sempre uma comunidade à parte. Vistos como “os outros”, foram, muitas vezes, bodes expiatórios
A literatura é generosa para com os ciganos. A identidade cigana das protagonistas de “O Concerto de Notre Dame” de Victor Hugo e da “Carmen” de Mérimée adaptada à ópera por Bizet, seduz o leitor. A realidade quotidiana não podia ser mais contrastante. A deportação de SK não se circunscreve à França. O repatriamento de ciganos aconteceu na Dinamarca, está em curso na Alemanha (10 mil refugiados kosovares que nasceram na Alemanha, discriminações na Itália, Hungria e Bélgica. “A pátria dos ciganos é onde estão os seus pés”, diz Ronald Lee, escritor cigano canadiano.
Segundo o Conselho da Europa, vivem na Europa, entre 10 a 12 milhões de ciganos, muitos deles nacionais dos países onde residem. São a maior das minorias – uma espécie de 28º ‘Estado’, o mais pobre e o menos alfabetizado. Mais de 65 anos depois do porrajmos (Holocausto) em que foram mortos meio milhão de ciganos, continuam a ser tratados como um problema de ordem pública. Pontualmente há excepções: em 2008, visando a inclusão dos alunos ciganos, o governo britânico financiou a distribuição nas escolas de uma revista que destacava a ascendência cigana de pessoas famosas, como Elvis Presley.
Bob Dylan dedicou-lhe o tema “went to see the gypsy”.