Ciganos vencedores

Focus (6 a 12 Ago)
Capa: Ricos, Poderosos, Influentes os novos ciganos
(imagem de Quique Flores e de Ricardo Quaresma)
Ciganos vencedores
A reportagem começa por apresentar uma biografia de Ricardo Quaresma, filho de pai cigano e mãe angolana, nascido em Alcântara e que sempre assumiu ser cigano e gosta do carinho como os amigos usam a alcunha “Harry Potter”. Foi um dos primeiros ciganos a ser chamado para fazer publicidade em Portugal, o que contribuiu para derrubar mais uma barreira cultural no país. Depois expõe a biografia de Quique Flores que é um lutador pela igualdade social e considera que os ciganos não têm igualdade de oportunidades.
A Focus destaca igualmente outros ciganos como António Nunes (AN) que no dia 16 de Setembro se irá sentar ao lado do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, no âmbito da primeira conferência europeia sobre a comunidade cigana. AN é consultor especializado da GEBALIS, a empresa que trata dos bairros sociais em Lisboa. A sua história que começou em Estremoz onde o seu pai era “um senhor” que todos respeitavam, e continuou nos colégios que frequentou, leva-o a afirmar que “é a atitude de cada um de nós que faz com que nos olhem de igual para igual.” AN é também o Presidente da FECALP, federação de 18 Associações ciganas de todo o País, e consultor do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) e ainda tem tempo para se dedicar fé e a pregar a Palavra.
Num país onde já só 11% dos ciganos são nómadas que se querem sedentarizar, são mencionados outros ciganos de sucesso, como António Silva, empresário com negócios nas áreas da restauração, dos automóveis e do vestuário que afirma que vive numa habitação social “porque os bancos recusam-me os empréstimos. Nunca nenhum banco me quis dar dinheiro para comprar uma casa.” A sua maior preocupação agora é que os filhos estudem. “Não admito que façam menos do que o 9º ano. Mas não cortarei pernas a nenhum se desejarem estudar até à Universidade.” E acrescenta: “a geração deles tem uma responsabilidade enorme em fazer todos os estudos e tirar a comunidade cigana desta auto-segregação que, por costumes e tradições, já a encurralou.”
Aida Marrana, assistente social, começou com um grupo de crianças ciganas para as ajudar a estudar e refere que “finalmente os pais deles compreenderam que é preciso estudar, ter cursos, avançar na vida e abrir um pouco à sociedade.” E destaca o trabalho da Obra Pastoral dos Ciganos na luta contra a exclusão, nomeadamente através da formação de ciganos como mediadores sócio-culturais.
Carlos Silva tem o curso de mediador e procura fazer a ponte entre os não ciganos e os que o são. “A comunidade cigana precisa de se associar, de ter uma liderança, de se saber mexer, aprender leis, aprender como a sociedade funciona. Para participar e para se defender conforme for necessário.” Carlos Soares Miguel é o cigano com maior fama, Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, que diz que está “farto de falar das origens ciganas, de que me orgulho” e que não foi fácil que o próprio partido o aceitasse.
Os entrevistados referiram à Focus que os acontecimentos da Quinta da Fonte não são exemplo para nada. Trata-se de uma rixa localizada e com motivos específicos.
Vítor Hugo, cigano de 23 anos diz com pena que nunca teve hipótese de estudar, afirma que nunca deixará que isso aconteça aos seus filhos e faz três feiras por semana. Há assim uma nova geração a despontar.
O imperador da Mocci
Ramiro Maia que começou a trabalhar cedo, conseguiu vencer todas as dificuldades e fundar uma das maiores cadeias de sapatarias de luxo, a Mocci, que está presente na maior parte das superfícies comerciais do país.