O encerramento das actividades lectivas do curso de Alfabetização de Adultos da escola dos Formarigos em Bragança, aconteceu este ano de uma forma inédita e muito interessante.
HÁ TEATRO NA ESCOLA
O encerramento das actividades lectivas do curso de Alfabetização de Adultos da escola dos Formarigos em Bragança, aconteceu este ano de uma forma inédita e muito interessante.
Com efeito, os formandos (na sua maioria de etnia cigana) foram ao teatro, ou melhor, o teatro foi à escola, movido pelo espírito da solidariedade e da integração social e veiculado por uma actividade original que os formandos do curso de Técnicos de Acção Educativa (EFA /NS), do centro de formação profissional de Bragança aceitaram realizar.
A ideia surgiu das alunas do curso de Educação Social em estágio na Pastoral dos Ciganos, que este ano têm desenvolvido um excelente trabalho em prol da inserção social da etnia cigana. Neste contexto, organizaram o evento e tornaram possível a encenação da peça de teatro: “Capitão gancho, Peter Pan e seus amigos”, uma adaptação bem conseguida dos alunos do referido curso EFA, no âmbito das técnicas de animação e da expressão verbal.
Envolvidos por um ambiente teatral onde os cenários faziam imaginar um navio em alto mar, actores e espectadores desta peça, divertiam-se e partilhavam a cultura na verdadeira amplitude da interculturalidade.
São momentos como este, que provam a necessidade da existência de espaços de intercâmbio, de acolhimento das diferenças, de cooperação entre as pessoas, independentemente da sua origem ou etnia. De salientar, que esta evidência não precisou de muito para se demonstrar, bastaram-lhe apenas as orientações de uma área curricular de um curso profissional, uma tarde na escola e uma dose considerável de boa-vontade de todos os envolvidos, para que se conseguisse levar o Teatro a um grupo de cerca de 50 pessoas, que não tinham ideia do que isso era. Sem dúvida, que levar o pão a quem mais precisa, é fundamental, mas há que pensar levar também a cultura e iniciativas de inserção social, para que as pessoas possam sonhar, para que se possam abrir novos horizontes, para que a mudança seja um objectivo…
No final da peça, o momento foi de satisfação, de motivação para continuar, esta foi a convicção de todos os presentes, nomeadamente dos elementos da direcção do agrupamento Paulo Quintela e de representantes do Centro de Formação Profissional, que apoiam e promovem estes cursos de formação.
Fátima Castanheira
Directora do Secretariado Diocesano da Pastoral dos Ciganos de Bragança – Miranda e membro da Direcção da ONPC