A humanidade está mais pobre. Morreu o Papa do povo, da paz, da justiça, o Papa João Paulo II, o símbolo da esperança num mundo melhor.

JOÃO PAULO II – PEREGRINO DA ESPERANÇA E DA PAZ
A humanidade está mais pobre. Morreu o Papa do povo, da paz, da justiça, o Papa João Paulo II, o símbolo da esperança num mundo melhor. O Chefe do Estado português evocou João Paulo II como “uma das figuras mais marcantes da história contemporânea” e agradeceu-lhe pelo seu afecto a Portugal, em particular a Fátima.
Crentes e não crentes renderam-se à sua capacidade de comunicação, de promoção do diálogo entre as diferentes nações, culturas religiões, renderam-se à sua incansável peregrinação em busca da paz.
Durante mais de 26 anos foi o homem vestido de branco que arrastava multidões por onde passava, levando consigo palavras de fé e esperança no ser humano.
Foi de facto um novo Moisés, como condutor e guia do Povo de Deus, indo à sua frente e abrindo caminhos novos. Como Moisés foi um grande crente de uma fé sólida, forte, convicta e contagiante, alimentada na sarça ardente da contemplação e da oração, da experiência de Deus intensamente vivida.
Manteve-se firme frente a todas as provocações e ameaças, porque tinha contemplado o mistério do Senhor glorioso. Este é a meu ver, o segredo da sua força e do seu ministério. Numa visita ao Brasil depois do atentado que sofreu, disse significativamente: “tenho três anos de pontificado, os restantes são milagre…”
Daqui brotava a sua ânsia apostólica de peregrinar pelo mundo, de fazer encontrar os homens com Cristo, de levar a todo o mundo a luz do Evangelho.
Por isso fez-se peregrino da Esperança e da Paz. Recolheu no seu coração as esperanças, as angústias, as lágrimas de um século, sem perder a esperança de que “elas preparam o terreno para uma nova primavera do espírito humano” de paz e liberdade.
Peregrinou incansavelmente, aproveitando todas as ocasiões para amar, encorajar, comprometer a todos nesta causa da paz.
Não esqueceu os ciganos. Várias vezes referiu a frase proferida por Paulo VI: “Vós estais à margem da Igreja, mas no seu coração”. Em 4 de Maio de 1997, beatificou o cigano Zeferino Gimenez Malla (El Pele).
Tempos depois referenciou comportamentos de injustiça para com os ciganos e tomou partido. Em 1989, encorajou a todos a acolher os ciganos como irmãos e irmãs.
Porque muitas vezes acontece – disse que os ciganos se sentem rejeitados e desprezados num mundo marcado, em grande parte, pela avidez do lucro e pelo desprezo dos mais fracos. Deve mudar a sua atitude e acolher os nossos irmãos ciganos, não mais apenas com tolerância, mas num espírito de fraternidade.
João Paulo II escutou o apelo de Cristo e soube passar para a outra margem e acolher o irmão cigano e construiu pontes de comunhão.
Há que cultivar e continuar este testemunho do Papa João Paulo II.
P. Amadeu Dias Ferreira