Sol – B. I. (27 fev) – CULTURA CIGANA
Leonor Teles – partir um grande sapo
É a jovem realizadora portuguesa do momento, depois de aos 23 anos ter levado ao festival de cinema de Berlim “Balada de um Batráquio” e ter saído de lá com o Urso de Ouro das curtas, com este seu filme “tosco” sobre partir sapos – e preconceitos
Depois das dificuldades de conseguir contactar Leonor Teles (LT), porque ninguém esperava este prémio, o Sol conseguiu falar com a galardoada sobre “Balada de um Batráquio”, o filme “tosco” que impressionou o júri em Berlim, sobre o caminho para o futuro, que é para ser feito com calma, também sobre o preconceito e o que é isso de se ser cigano em Portugal. “Agora já toda a gente sabe, mas a maior parte das pessoas nem sabia que eu era cigana”, afirma LT.
Pode dizer-se que “Balada de um Batráquio” começou há uns dez anos, talvez mais, quando ao entrar num café em Vila Franca de Xira, LT perguntou à mãe que moda era aquela dos sapos de loiça nas montras e ela lhe explicou. “E eu e ela até tínhamos uma piada, que um dia íamos entrar nas lojas e desfazer-nos dos sapos todos.” Já depois de terminar o Curso de Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema, começou a trabalhar com Filipa Reis e João Miller Guerra. Indo os três jantar a um restaurante onde estavam os sapos, LT perguntou-lhes “qual era o significado do sapo”. Eles não faziam a mínima ideia. LT contou-lhes a história e foi a partir dessa conversa “em que falei sobre aquilo com total descontração, que começaram a insistir para que fizesse o filme”. “Tentámos dar um tom irónico à coisa, tornar o filme divertido. “Ok, estamos a falar de coisas sérias, mas não temos de falar de coisas sérias de uma forma séria, podemos desconstruí-las.” Sobre o futuro, LT diz: “sinto que ainda tenho muito que crescer; das coisas que mais me interessa neste momento é poder trabalhar nos filmes de outras pessoas. A verdade é que eu não tenho ainda muita experiência e as coisas têm que ir com calma.” O que não quer dizer que não possamos ver novos filmes dela nos próximos tempos. Já está a preparar um novo que não tem nada a ver com os dois primeiros.
Falando sobre o filme “Rhoma Acans”, em que explora uma história que na verdade é a sua, LT refere que é de uma família de um pai cigano e de uma mãe não cigana, onde todas as mulheres “eram personagens bastantes fortes, eram já mulheres com uma mente muito aberta, muito à frente do seu tempo”. “LT foi-o à sua maneira. Ela própria será o partir de um sapo, um grande sapo, no cinema português”.