Os ciganos que vendem nas feiras estão com dificuldades em sobreviver devido à crise. Não são só as vendas estão más, mas também os ciganos queixam-se da falta de dinheiro para adquirir os produtos e poder vendê-los nos mercados.


Lusa (23 Jun)
Os ciganos que vendem nas feiras estão com dificuldades em sobreviver devido à crise. Não são só as vendas estão más, mas também os ciganos queixam-se da falta de dinheiro para adquirir os produtos e poder vendê-los nos mercados.
A propósito do Dia Nacional do Cigano, o Presidente da Federação Calhim Portuguesa e da Associação Cristã de Apoio à Juventude, António Pinto Nunes (APN), disse à agência Lusa que “actualmente o cigano não consegue sobreviver com a venda nas feiras devido à crise”. E acrescenta que a venda nas feiras começou a degradar-se com o comércio chinês, mas a situação agravou-se com a crise que Portugal está a atravessar.
“Como não vendem em grandes quantidades, não se torna vantajoso vender. Só aqueles que conseguem adquirir grandes quantidades de mercadorias é que conseguem sobreviver. Mas são uma minoria.”
APN frisou ainda que o negócio está tão mau nas feiras, que, muitas vezes, nem conseguem pagar os locais de venda às Juntas de Freguesia”.
A ONPC também considera que os ciganos que vendem nas feiras estão a ser vítimas da crise, mas que o sector foi sobretudo afectado com as lojas dos chineses e as grandes superfícies, que vendem produtos baratos e “tiraram muito negócio aos mercados.”
Francisco Monteiro refere que os ciganos começaram a sentir a crise há cerca de seis anos e salientou ter conhecimento de ciganos que vendiam em quatro ou cinco feiras e actualmente “estão reduzidos a zero”. “É uma crise imensa, os ciganos já estão a pensar que as feiras não têm futuro”.
O Director Executivo da ONPC culpabilizou também algumas Câmaras municipais por esta situação, tendo em conta que mudaram os ciganos para feiras longe dos centros. A maioria dos ciganos que vive nos centros urbanos dedica-se à venda ambulante.